Homem de 29 anos foi preso na manhã de hoje por suspeita de estuprar a enteada, de 5 anos, e o filho, de 3 anos, em Campo Grande. Mesmo sabendo da suspeita, mãe continuou morando com o homem e também pode responder pelo crime por ter exposto as crianças ao risco.
Titular da Delegacia Especializada de Proteção a Criança e ao Adolescente (Depca), Paulo Sérgio Lauretto, disse ao Portal Correio do Estado que inquérito sobre o caso foi instaurado no fim do ano passado.
Em novembro de 2015, mãe, de 25 anos, levou a criança até um posto de saúde pelo fato da menina se queixar de dores nas partes íntimas. Depois de exames, pediatra avisou a mãe que criança teria sido abusada sexualmente. Ao ser informada, mulher fugiu da unidade de saúde com a filha.
Médico avisou o Conselho Tutelar, que acionou a Polícia Civil. Segundo o delegado, a partir da denúncia investigadores passaram a procurar a mãe, porém, ela não foi encontrada nos endereços que constavam como sendo da família.
Em setembro deste ano, mulher foi localizada e encaminhada à Depca junto com a criança, hoje com 6 anos, para prestar esclarecimentos.
Em depoimento, ela afirmou que fugiu do posto porque ficou assustada e afirmou que havia se separado do suspeito. No entanto, criança foi ouvida ao mesmo tempo por psicóloga e disse que o padrasto continuava morando com elas e que ela ainda sofria abusos.
Por conta disso, criança foi retirada da mãe e da delegacia foi levada para um abrigo.
Conselho Tutelar foi até a casa do casal, que tem outros dois filhos, um menino de 3 anos e uma menina de 10 meses, e constatou que de fato a mulher continuava morando com o suspeito.
Na casa, psicóloga conversou com o menino, que relatou que o pai estava abusando dele. As crianças também foram retiradas da família e encaminhadas ao abrigo.
Delegado pediu prisão preventiva do suspeito, que foi concedida pela Justiça, e hoje o homem foi preso na casa do irmão em cumprimento ao mandado de prisão.
Ao delegado, suspeito negou o crime e afirmou nem saber o motivo de estar sendo acusado. Depois de depoimento, ele foi encaminhado ao presídio.
Mãe também pode ser responsabilizada por ter continuado com o suspeito mesmo sabendo que a filha estava sendo abusada, o que expôs os demais filhos ao risco.
“Se ela tivesse se separado ao saber, ainda que não tivesse evitado o abuso da filha, poderia ter evitado o do filho do casal. A omissão dela fez com o menino também fosse vítima”, disse Lauretto.
Ainda segundo o delegado, inquérito de estupro de vulneravel deve ser concluído na próxima semana e encaminhado ao Ministério Público Estadual.