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Saques da poupança até outubro superam depósitos em R$ 53 bilhões

Saques da poupança até outubro superam depósitos em R$ 53 bilhões

Redação

07/11/2016 - 17h00
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Os saques de recursos da caderneta de poupança, entre janeiro e outubro deste ano, superaram os depósitos em R$ 53,25 bilhões, informou nesta segunda-feira (7) o Banco Central.

Apesar de expressivo, o valor é menor que o registrado no mesmo período do ano passado, quando a saída líquida (acima do volume de depósitos) da poupança totalizou R$ 57,05 bilhões - recorde para os dez primeiros meses de um ano.

Somente em outubro, os saques superaram os depósitos em R$ 2,71 bilhões. Mesmo sendo o décimo mês seguido em que a saída supera aos depósitos, houve recuo em relação a outubro de 2015 – quando a poupança perdeu R$ 3,26 bilhões em aplicações.

A fuga de recursos da poupança tem relação com a recessão da economia brasileira e ao aumento do desemprego e da taxa de inadimplência. A baixa rentabilidade, corroída pela inflação, também tem levado poupadores a migrarem seus recursos para outros investimentos.

Em todo o ano passado, R$ 53,36 bilhões deixaram a poupança. Foi a primeira vez em 10 anos que houve mais retirada do que depósitos da caderneta. Também foi a maior fuga de dinheiro da poupança desde o início da série histórica do Banco Central para um ano fechado.

Saldo da poupança
Apesar de os saques terem superado as retiradas em outubro, o volume total aplicado na poupança no fim do mês, ou seja, o estoque da caderneta, registrou novo aumento.

No fim de setembro, o saldo da poupança estava em R$ 642,99 bilhões, avançando para R$ 644,34 bilhões em outubro.

A explicação é que os rendimentos creditados nas contas dos poupadores, que somaram R$ 4,06 bilhões no mês passado, também são incorporados ao estoque da poupança.

Baixo rendimento
Além da crise econômica, o baixo rendimento da poupança também tem contribuído para a retirada de recursos. Enquanto o rendimento dos fundos de renda fixa sobe junto com a Selic (a taxa básica de juros determinada pelo Banco Central), o das cadernetas fica limitado a 6,17% ao ano mais a variação da Taxa Referencial (TR) quando a Selic está acima de 8,5% ao ano.

Segundo a Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), como a Selic está em 14% ao ano, as aplicações em renda fixa, como fundos de investimento, ganham mais atratividade porque o rendimento fica acima do da poupança na maioria das situações. A poupança continua atrativa somente para fundos com taxas de administração acima de 2,5% ao ano.

No ano passado, a rentabilidade da poupança foi de 8,15%. Ou seja, ficou abaixo da inflação, que alcançou 10,67%. Descontada a inflação, portanto, quem manteve recursos na poupança ao longo de 2015 viu o dinheiro perder 2,28% do poder aquisitivo, de acordo com a consultoria Economatica. É o pior resultado desde 2002.

Quando a poupança pode ser atrativa
Apesar do baixo rendimento, especialistas avaliam que a caderneta de poupança ainda pode ser uma boa opção, mas somente em poucos casos. Por exemplo: para pequenos poupadores (com pouco dinheiro guardado), para pessoas que buscam aplicações de curto prazo (poucos meses) ou que procuram formar um "fundo de reserva" para emergências.

A vantagem da poupança em relação a outros investimentos é que não incide Imposto de Renda sobre a aplicação.

Nos fundos de investimento, ou até mesmo no Tesouro Direto (programa do governo de compra de títulos públicos pela internet) há cobrança do IR e, na maior parte dos casos, de taxa de administração. Nos fundos de investimento e no Tesouro Direto, o IR incide com alíquota regressiva, ou seja, quanto mais tempo os recursos ficarem aplicados, menor é o valor da alíquota incidente no resgate.

Menos recursos para casa própria
O menor interesse na poupança também afeta os financiamentos imobiliários, uma vez que a modalidade é fonte de recursos para a casa própria. Pelas regras, os bancos precisam destinar parte dos saldos da poupança (SBPE) para o crédito imobiliário.

Em março deste ano, a Caixa Econômica Federal informou que aumentou os juros para financiar a casa própria com recursos da poupança. Foi a primeira vez no ano em que a Caixa subiu os juros para crédito imobiliário. O aumento, informou o banco, foi "decorrente de alinhamento ao atual cenário econômico".

Segundo números da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), o volume de crédito para a construção e aquisição de imóveis, com recursos da poupança, caiu 45,8% de janeiro a setembro de 2016 na comparação com o mesmo período do ano passado – para R$ 33,6 bilhões.

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