A Polícia de Mato Grosso está apurando se um quadro de depressão identificado por um psiquiatra pode ter relação com a morte da advogada Ariadne Wojcik, de 25 anos.
O corpo da jovem foi encontrado no Mirante de Chapada dos Guimarães, a 65 km de Cuiabá, nesta quarta (9). Ela havia desaparecido após fazer um post denunciando um professor por assédio durante um estágio em Brasília.
A principal tese da Polícia Civil, que abriu um inquérito, é de que a advogada tenha se jogado de um ponto mais alto desse mirante e morrido na queda. A investigação deve apurar se o quadro de depressão ou o suposto assédio teriam contribuído para a morte da advogada.
Na bolsa que estava próxima ao corpo, a polícia encontrou um cartão com o telefone de um psiquiatra. Foi ele que divulgou o quadro psicológico da jovem para a polícia. Na bolsa também havia uma carta com informações semelhantes à postagem que ela fez na rede social, denunciando o assédio.
A polícia disse que vai apurar todas as informações e declarações feitas pela jovem na rede social.
Segundo o delegado responsável pelo inquérito, Diego Martimiano, o psiquiatra disse que atendeu a jovem e que 'constatou que ela tinha um quadro de depressão profunda'. O psiquiatra contou ao delegado que receitou medicamentos de uso controlado, porém, Ariadne havia recusado porque não queria tomar os remédios.
Investigações
A jovem, que morava há 15 dias com um tio em Cuiabá, chamou um táxi e pediu para ser levada para o ponto turístico em Chapada dos Guimarães. Os amigos e familiares não tiveram contato com ela durante o dia. Ariadne foi encontrada morta no início da noite na região do Mirante. A área é visitada por turistas e possibilita uma vista panorâmica de Cuiabá.
Ariadne foi nomeada na terça-feira (8) para uma vaga no gabinete de um desembargador no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) e tomaria posse na quarta-feira.
A Polícia Civil informou que localizou o corpo da advogada depois de identificar o taxista que a levou até o local.
O corpo da jovem deve passar por exames de necrópsia no Instituto Médico Legal (IML) de Chapada dos Guimarães. Não há informações sobre velório ou sepultamento. O taxista, o tio da jovem e pessoas próximas da advogada devem prestar depoimento à polícia a partir desta quinta-feira. O professor citado por ela nas mensagens também será ouvido, possivelmente por meio de carta precatória.
Postagem
Em uma rede social, a advogada denunciou um assédio sofrido quando estagiava em um escritório de advocacia em Brasília. No relato, ela conta que um professor passou a presenteá-la e encaminhar mensagens pessoais.
“As coisas ficaram muito estranhas quando ele demonstrava que sabia todos os lugares onde eu ia, sabia o teor das minhas conversas, com quem eu falava, sabia as páginas que eu acessava no meu computador pessoal”, contou. Ainda segundo o relato da jovem, o professor passou a monitorar inclusive o horário em que ela chegava em casa.
No post, a jovem contou que decidiu deixar o emprego e se mudar para Cuiabá, cidade de origem dela. “Eu achava que aqui, em Cuiabá, no emprego novo, na vida nova, eu estaria a salvo da perseguição dele, mas ele nunca desiste, nunca. Eu estou exausta e não tenho mais forças para tentar me desvencilhar das artimanhas dessa mente doentiamente perversa e egocêntrica. Cheguei no fim da linha”, diz outro da mensagem.