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Sem música, noite cubana se transforma com a morte de Fidel

Sem música, noite cubana se transforma com a morte de Fidel

Redação

27/11/2016 - 13h54
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A noite cubana se transformou com a morte do ditador Fidel Castro. O luto nacional de nove dias proíbe a venda de bebidas alcoólicas e shows de música e dança.

"Não é a mesma Cuba de ontem", afirmou à Folha a turista americana Jane Marvene, 63.

Em Trinidad, cidade histórica de Cuba a 300 km da capital Havana, poucos turistas buscavam o que fazer na mesma praça onde, uma noite antes, um show de salsa entreteve centenas até a meia-noite.
No mesmo horário deste domingo (27), havia cerca de 30 pessoas no local. "É muito estranho", completa Marvene.

O cubano Alex Vazquez, 19, ficou especialmente chateado por fazer aniversário na próxima quarta (30), durante o luto nacional.

"Não posso comemorar, não posso dançar, não posso fazer nada", disse.

"Sentimos muito a morte do comandante, mas isso se sente na alma, no coração e na mente, não é necessário tirar a música".

Vazquez, que trabalha em um bar e estuda economia, afirmou ainda estar igualmente triste tanto pela morte do líder cubano, como pela falta de festas.

Ele e muitos turistas estavam em discotecas na noite de sexta, quando a música foi subitamente interrompida por volta de 1h e a morte de Fidel foi anunciada. "Todos saíram da discoteca", disse.
Jackie Lane, 29, uma turista americana, também soube da notícia quando a balada foi suspensa. "Eu não posso culpar as pessoas, eu entendo o luto", disse.

Lane era uma das poucas na praça na noite de sábado, e lia notícias sobre a morte do ditador, já que, durante o dia, não obteve muita informação na cidade.

"As pessoas não falam disso, não expressam opinião, continuam seus negócios normalmente", afirmou.

SEM CLIENTES

Se pela manhã as atividades seguiram sua rotina, à noite os restaurantes fecharam as portas mais cedo -se viam garçons sentados do lado de fora, à espera de clientes.

"Para o negócio é ruim, se vende menos, mas fazemos isso por respeito", diz Carlos Arenzibila, 26, dono de um bar.

Nem todos, porém, seguiram a regra. Em um dos estabelecimentos, era possível conseguir piña colada, por exemplo, mas mojito, mais tradicional e difícil de disfarçar, não.

"É um prejuízo para o turismo", afirma o italiano Alberto Rossi, 29. "Nós viajamos 12 horas de voo para chegar aqui."

Marco Villoes, 31, também italiano, reclama: "o luto deveria ser uma emoção nas pessoas e não uma imposição do governo".

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