Os funcionários fantasmas encontrados na investigação do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) com relação aos convênios da Omep e Seleta com a Prefeitura de Campo Grande envolvem a nora e ex-nora da vereadora Magali Picarelli (PSDB).
Kamila de Souza Matos e Aline Palma Padilha eram contratadas para atuarem na Secretaria Municipal de Assistência Social (SAS), mas quem assinava as folhas de presença era a vereadora, indicou relatório dos promotores.
Agentes do Gaeco monitoraram as duas e identificaram que elas trabalhavam em atividades particulares. O nome das duas não aparece também na lista de servidores lotados no gabinete de Magali Picareli.
"Kamila de Souza e Aline Padilha não foram encontradas na sede da Câmara de Vereadores ou em escritório político e, nem mesmo são conhecidas pelos funcionários e pela chefe de gabinete", informou a promotoria. Aline já foi casada com Maurício Picarelli Júnior, filho da vereadora, enquanto Kamila é a atual esposa dele.
Magali precisou ir à sede do Gaeco na terça-feira (13) para cumprir mandado de condução coercitiva. Os promotores queriam ter explicações sobre a lotação das duas funcionárias fantasmas, que eram para trabalhar na SAS, mas tinham sido transferidas para o gabinete dela.
A reportagem procurou a vereadora para esclarecer as suspeitas, mas ela não atendeu aos telefonemas e também não estava em seu gabinete. Em postagem em rede social, a vereadora, que não foi eleita para o próximo mandato, não falou sobre o caso mas comentou os planos para o próximo ano, informando que trabalhará nos bastidores da política.
"Estarei trabalhando nos bastidores, com meus projetos particulares de assistência aos menos favorecidos, e quero poder contar com o carinho de vcs (sic), estaremos sempre juntos. Deus abençoe a todos , a vida continua, muito obrigada meu Deus por escolher o melhor pra mim", escreveu.
CASO VAI ALÉM
A diretora de recursos humanos da Seleta, Ana Claudia Pereira da Silva, que foi presa temporariamente na terça-feira (13), estava com 76 recibos de pagamento de "funcionários fantasmas". O Ministério Público encontrou os documentos na casa dela.
Segundo apurado, secretarias municipais enviavam relação de nomes para a entidade, que fazia a inclusão na folha de pagamento. Na data que deveria estar disponível o salário, os valores eram sacados e repassados em espécie para os diretores da entidade. Os recibos eram "frios", para maquiar os comprovantes.
Promotores também inspecionaram Centros de Educação Infantil (Ceinfs) e relataram que pelo menos 180 funcionários contratados pela Omep não foram encontrados. Nesse trabalho, a investigação, inclusive, denominou o esquema como sendo "indústria de funcionários fantasmas".