Cidades

CRISE TOTAL

Falta de dinheiro na Venezuela provoca protestos e saques em lojas

Falta de dinheiro na Venezuela provoca <BR>protestos e saques em lojas

Redação

17/12/2016 - 10h00

A abrupta retirada do mercado da cédula de maior valor na Venezuela (de 100 bolívares), ordenada pelo presidente Nicolás Maduro, e o atraso na circulação de novas moedas e notas geraram protestos e saques em várias cidades do país nesta sexta-feira (16).

"Tentativas de saque em vários lugares do país. Situação agravada por falta de dinheiro. Novas cédulas não aparecem", disse o presidente do Parlamento, o opositor Henry Ramos Allup, em sua conta no Twitter.

Em Maracaibo, no oeste do país, a segunda maior cidade, grupos que protestavam pela falta de dinheiro enfrentaram policiais, jogando pedras nos agentes.

E, em Maturín, a capital de Monagas, ao leste, dezenas de pessoas também foram às ruas e bloquearam uma das principais avenidas da cidade.

O deputado opositor Antonio Barreto Sira afirmou que houve "situações tensas" em El Callao, Tumeremo e San Félix, no Estado de Bolívar. Ele compartilhou fotos, nas quais se vê um grupo de pessoas quebrando a entrada de uma loja e tentando entrar à força.

O deputado da oposição disse por meio do Twitter que autoridades municipais confirmaram a ele três mortes na cidade de El Callao, no Estado de Bolívar, sul da Venezuela, em decorrência do caos por falta de moeda. "Um comerciante asiático, um homem e uma mulher. Saldo lamentável", disse ele.

As agências de notícias ainda não conseguiram confirmar as mortes.

"Passei pelo mercado, e estava tudo militarizado. Saquearam um caminhão de frango, e um grupo de velhinhos estava na porta do banco protestando porque queria dinheiro", relatou o agricultor Juan Carlos Leal, de Maturín.
Na cidade costeira de Puerto la Cruz, em Anzóategui (leste), "houve tumulto porque as pessoas queriam sacar dinheiro do banco e não deixaram", explicou Génesis, que trabalha em uma padaria da cidade.

TIROS PARA O ALTO

"Para controlar a situação, a polícia atirou para o alto e determinou o fechamento das lojas", relatou Génesis, que disse temer represálias.

No Twitter, multiplicaram-se as denúncias de protestos em estados como Bolívar (sul), Mérida, Táchira e Zulia (oeste). Muitas foram feitas pela página on-line de jornalismo cidadão "Reporte Ya".

Em Santa Bárbara, Barinas (oeste), a imprensa local informou que um grupo de pessoas tentou abrir, à força, um carro-forte que transportava dinheiro. Os motoristas teriam atirado, e haveria quatro feridos.

FALTA DE DINHEIRO

A retirada em apenas três dias da nota de 100 bolívares (0,15 dólar), a de maior valor em circulação no país, foi ordenada por Maduro para acabar com supostas "máfias" instaladas, sobretudo, na Colômbia.

Embora o presidente tenha anunciado que a saída de circulação das notas coincidiria, na quinta-feira (15), com a progressiva entrada de novas cédulas (de maior valor), não há sinal das primeiras moedas prometidas de 10, 50 e 100 bolívares, tampouco das notas de 500.

Na noite desta sexta-feira (16), Maduro condenou "os grupos de vândalos e violentos que há por aqui". "Já identificamos alguns em fotos e vídeos nos atos de vandalismo de hoje e há deputados da MUD" (Mesa da Unidade Democrática, oposição).

"A imunidade (parlamentar) não lhes protege porque são crimes em flagrante, e espero a ação da justiça com a maior celeridade."

"Serão capturados e postos atrás das grades nas próximas horas. Mão de ferro, compadre!", gritou Maduro, que não nomeou os deputados identificados.

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