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Negar acesso ao aborto pode debilitar a saúde mental das mulheres

Negar acesso ao aborto pode debilitar a saúde mental das mulheres

Redação

17/12/2016 - 19h00
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Ao estudar os efeitos que o aborto pode ter na saúde mental das mulheres, pesquisadores da Universidade de Califórnia, nos Estados Unidos, descobriram que proibir a interrupção da gravidez pode ter um impacto negativo em quem fez essa opção. O estudo foi publicado no periódicoJAMA Psychicatry.

Os cientistas analisaram os dados psicológicos de 956 mulheres que escolheram e conseguiram interromper a gravidez ou que escolheram e não tiveram permissão para fazer o procedimento por conta do tempo de gravidez. Entre elas, 273 abortaram no primeiro trimestre e 452 que interromperam nas primeiras semanas de gravidez.

Os pesquisadores entrevistaram as mulheres cerca de uma semana depois de terem conseguido ou não interromper a gravidez. Eles repetiram as conversas a cada seis meses durante cinco anos. As perguntas eram relacionadas às suas saúdes físicas e mentais, bem como histórico de traumas pelos quais passaram. 

Ao analisar as respostas após esse período, os cientistas observaram que as mulheres que foram proibidas de interromper a gravidez demonstravam ter mais sintomas de ansiedade, baixa autoestima e sinais mais baixos de satisfação nas primeiras entrevistas do que aquelas que tiveram acesso ao procedimento. 

Esses sintomas mudaram com o tempo. A partir de seis meses depois de terem o acesso ao aborto negado, as mulheres começavam a se sentir melhores e, aos poucos, chegavam nos mesmos níveis de ansiedade e autoestima que as que puderam interromper a gravidez.

Os cientistas ressaltam que muitas das participantes que tiveram o acesso ao procedimento negado continuaram tentando em outras clínicas, e que a frustração, bem como os gastos com consultas e viagens podem ter influenciado nos níveis de estresse e ansiedade delas durante a pesquisa.

Aborto nos Estados Unidos

Vale ressaltar que a pesquisa foi realizada nos Estados Unidos, onde alguns estados permitem que profissionais da área da saúde façam a aspiração uterina a vácuo ou prescrevam remédios para a interrupção de gravidez no primeiro trimestre.

Cada estado tem restrições específicas em relação ao assunto e a ONG Planned Parenthood, que oferece serviços de saúde e realiza o procedimento, é bem ativa no país.

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