Final de ano representa chances extras para quem procura emprego novo ou pretende conseguir uma segunda oportunidade para complementar a renda. Mas a crise na economia impactou diretamente essa situação. Das 4 mil pessoas que eram esperadas para serem contratadas em Campo Grande, em projeção anterior, foram abertas, na verdade, 2 mil vagas.
No Estado, projeção feita em outubro pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio-MS) era de 5 mil contratações, mas esse número também foi diminuído, principalmente pelo resultado do setor na Capital.
Essas condições exigem que quem conseguiu a suada vaga de temporário, deve batalhar ainda mais para ter chances de ser efetivado. Muita gente chegou a fazer curso específico para pleitear uma das posições abertas no comércio por conta do Natal e também ano novo e garantir mais capacitação para chamar a atenção do empresariado.
Análise do gestor da Escola de Varejo da Associação Comercial e Industrial de Campo Grande, Moacir Pereira Junior, é que o mercado está muito mais seletivo com a situação financeiro delicada. "No mercado só há espaço para os melhores. Os medianos dificilmente são empregados, pelo menos a longo prazo", confirma.
Com a experiência em trabalhar diretamente com pessoas que procuram recolocação profissional, Moacir destaca os pontos onde os temporários mais erram e o que os empresários mais ficam atentos na hora de analisar um funcionário de "temporada".
"As pessoas que foram contratadas como temporárias também precisam entregar resultados positivos. A prontidão e disponibilidade são indispensáveis nesta hora. Chegar antes do horário e, se possível, ser o último a sair também é considerado pelos empresários", identifica.
PENSAMENTO POSITIVO
Jéssica Tatiane de Souza Santos, 23 anos, estava sem trabalhar desde janeiro. Ela foi a um curso oferecido no Instituto Guataverá, no Jardim Noroeste, em Campo Grande, para se qualificar e buscar uma vaga temporária.
Deu certo. Conseguiu trabalho como vendedora de sorvete e fica na posição pelo menos até início de janeiro de 2017.
"Está difícil conseguir emprego. Mas agora vou entrar com o pé direito no próximo ano. Esse curso que fiz ajudou a abrir a mente, falou da importância em se fazer contatos, ouvir mais as pessoas. Mexeu com minha autoestima mesmo", assumi.
Ela mora e trabalha no Jardim Noroeste e concluiu os estudos até a oitava série. Compreendeu agora que as exigências dos empregadores aumentaram e precisa continuar os estudos para vencer a barreira do desemprego.
De acordo com a vendedora, além de esforço, também é preciso acreditar em si próprio. "Tem muita gente que fala que a gente não vai conseguir, ou porque não tem estudo ou por outra coisa. É preciso acreditar mais na gente. E já decidi, vou voltar a estudar. Vou andar para frente", garante.
Vagas para temporários neste ano caiu pela metade em Campo Grande. Estimativa para o Estado era de 5 mil, mas foi reduzida para 3 mil. Foto: Álvaro Rezende/Correio do EstadoAPRENDER E APLICAR
A ACICG desenvolve anualmente o curso chamado Abre Vagas. Quem está fora do mercado pode inscrever-se e são 250 vagas oferecidas gratuitamente.
Durante uma semana, há capacitação para melhorar a autoestima de quem não está trabalhando, dicas sobre comportamento e técnicas de venda, também para atendimento a clientes, trabalho em equipe e relacionamento intra e interpessoal.
"É necessário essa reflexão, porém tenho que convencer eles que sempre podemos ressurgir das cinzas em qualquer situação", ressalta o professor e gestor da Escola de Varejo, Moacir Pereira Junior.
DICAS PARA EFETIVAÇÃO
- Procurar entregar resultados positivos;
- Ter prontidão e disponibilidade;
- Chegar antes do horário e, se possível, ser o último a sair;
- Procurar conhecer ao máximo os produtos e serviços da empresa;
- Ter autoestima;
- Procurar ampliar a consciência;
- Ficar atento a desvios comportamentais;
- Refletir sobre as próprias atividades e em como é possível melhorar.
EVITAR
- Falta de atenção, indiferença e desinteresse;
- Não manter boa conexão com o consumidor;
- Descuidar da imagem pessoal e, consequentemente, da empresa.
O QUE EMPRESÁRIOS OLHAM
- Uma boa aparência;
- Saber se expressar;
- Ter brilho nos olhos, comprometimento;
- Tentar ter um pouco de experiência ou pelo menos vontade de servir.
Grupo que fez curso no Jardim Noroeste para enfrentar desemprego e tentar chance como temporário neste final de ano. Foto: Divulgação/ACICG