Com o fim do convênio, funcionários contratados pela Seleta Sociedade Caritativa e Humanitária e pela Organização Mundial pela Educação Pré-Escolar (Omep), cedidos a Associação de Amigos da Casa de Abraão, se solidarizam com a situação do local, que poderia fechar sem os funcionários, e decidiram continuar trabalhando como voluntários.
De acordo com o secretário da instituição, Bruno Alexandre Silva, todos os ex-funcionários devem assinar ainda hoje termo de declaração como voluntários, onde está especificado que não há remuneração ou qualquer tipo de benefício pelos serviços prestados.
“É um termo padrão que qualquer pessoa que queira se voluntariar precisa assinar”, explicou.
Casa atende 20 idosos na rua Albert Sabin, Jardim Anahy, em Campo Grande. Maioria dos idosos precisa de atendimento de alta complexidade e casa era mantida com 17 funcionários contratados pelo convênio das ONGs com a prefeitura.
Todo o quadro de administração, lavanderia, cozinha, limpeza e cuidadores era composto por estes profissionais.
Com o fim do convênio, determinado pela Justiça, instituição ficou sem ter como contratar pessoas para suprir as vagas, já que sobrevive de doações, e corre risco de fechamento. Por conta disso, funcionários se solidarizaram e decidiram continuar trabalhando, mas como voluntários.
“Eles estão sensibilizados, está todo mundo sem receber o 13º salário e estão aqui ajudando, sem vínculo empregatício, mas a gente sabe que as pessoas vivem e precisam do trabalho e do dinheiro. Então a casa vai continuar, mas pode correr o risco de fechar", disse Silva.
Ainda segundo o secretário, preocupação é com o fato de todos os idosos precisarem de cuidados e não terem outro lugar para onde possam ser levados em caso de possível falta de cuidadores e equipes.
Além dos ex-funcionários da Seleta e Omep, casa conta com ajuda de outros voluntários, mas nenhum fixo. Para alguns serviços, como cuidador, é necessário ainda curso de capacitação, o que torna mais difícil o voluntariado.
Administração do local critica o fim do convênio, afirmando que deveria ser feita uma auditoria para fiscalizar os funcionários fantasmas, já que no asilo, os servidores seriam frequentes.
FIM DO CONVÊNIO
Justiça determinou a suspensão dos convênios firmados pela Prefeitura de Campo Grande com a Seleta e com a Omep e a proibição de repasses de qualquer valor as entidades no dia 15 de dezembro.
Prefeitura de Campo Grande informou que demitirá os cerca de 4,3 mil funcionários da entidade e irá encerrar as atividades nos Centros de Educação Infantil (Ceinfs), Centros de Referência de Assistência Social (Cras), escolas municipais, Centros de Convivência de Idosos (CCI), Centro de Múltiplo Uso, Centro de Formação Profissional, Centro de Referência Especializada de Assistência Social (CREAS) e medidas sócio-educativas hoje.
Investigações do MPE apontaram indícios de desvio de dinheiro público e enriquecimento ilícito, em esquema que movimentou R$ 26,5 milhões entre 2011 e 2015.