A Prefeitura de Campo Grande atendeu recomendação do Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde (SUS) para melhor regulamentar a rede cegonha na cidade. Foi enviado ofício à Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) para determinar mudanças no sistema de atendimento à mulher e à criança.
No começo de dezembro, uma das principais unidades que atende no serviço, o Hospital da Mulher Honória Martins Pereira, teve o setor cirúrgico interditado porque a Prefeitura de Campo Grande não renovou convênio com a empresa que presta serviço na lavagem de roupa. O convênio venceu neste mês. A consequência disso foi acúmulo de pacientes em outras unidades da Capital.
O projeto cegonha, instituído pelo Ministério da Saúde, pretende garantir de atenção à saúde da grávida, a atendimento especial para a criança, do nascimento aos 24 meses de vida. Os parceiros também fazem parte da proposta.
A recomendação do Denasus foi enviada à Sesau neste ano orientando que era necessário a criação do chamado grupo condutor e a instituição de fórum municipal da rede cegonha.
A partir desse fórum, os integrantes terão poder para deliberar e organizar as políticas de atenção à saúde da gestante, do parceiro e da criança, no período de recém-nascido a 2 anos.
Conforme o secretário municipal de saúde, Ivandro Corrêa Fonseca, esse grupo ainda terá a incumbência de propor medidas e estratégias para redução da mortalidade materna, neonatal e infantil. Isso inclui em propostas ligadas também aos médicos que atendem nesse setor.
O Grupo Condutor Municipal da Rede Cegonha, outro instrumento criado a partir da resolução 322, de 28 de dezembro deste ano, vai ter poder fiscalizatório.
"O GCMRC consiste em órgão colegiado, de caráter permanente, consultivo e propositivo. Será composto por representantes da gestão municipal, prestadores de serviço e profissionais de saúde. As resoluções serão homologadas pelo secretário municipal", informou Fonseca, por meio da resolução publicada em edição extra do Diário Oficial do Município de ontem (28).
Os recursos destinados a esse tipo de atendimento também serão fiscalizados pelo grupo condutor. Ele será formado por representantes da diretoria de assistência à saúde; coordenadoria de atenção básica; coordenadoria de atenção especializada; coordenadoria de controle e avaliação de atenção à saúde; coordenadoria de regulação ambulatorial; coordenadoria de urgências; coordenadoria de supervisão da rede de atenção básica; do Hospital da Mulher; do Hospital Regional; da Santa Casa da Capital; da Maternidade Cândido Mariano; e do Hospital Universitário.
ESTRUTURA FALHA
Antes da criação dos dois sistemas de controle e coordenação da rede cegonha, o Hospital da Mulher Honória Martins Pereira, unidade ligada ao atendimento a grávidas, acabou parcialmente fechado por conta de interdição da Vigilância Sanitária.
Foram constatadas condições precárias de funcionamento do setor cirúrgico do hospital. A unidade está instalada no bairro Moreninhas.
Inaugurado em março de 2000, com capacidade para 12 leitos, unidade teve contrato de convênio com empresa particular que prestava serviço de lavagem de roupas encerrado agora em dezembro.
A prefeitura não renovou a parceria e desde então havia acúmulo de roupas nas salas, o que causou forte cheiro, que exalou pela maternidade, tornando o ambiente insuportável para quem procurava atendimento e para os funcionários.
O vereador Chiquinho Telles (PSD) também apontou que a maternidade tem aparelho de sorografia que não é usado pelos médicos por falta de papel.
As medidas para resolver os problemas no local devem ser implementadas em 30 dias, de acordo com resolução do secretário municipal de saúde. Na prática, a atual administração, que encerra o mandato em 31 de dezembro, transferiu a resolução da situação para o novo prefeito, Marcos Trad (PSD).