Depois de muitas promessas não cumpridas, corredores profissionais continuam sem local adequado para treinar em Campo Grande. Orçada em R$ 6,08 milhões com recursos do Ministério do Esporte e contrapartida da prefeitura, a pista olímpica de atletismo anunciada em 2012, ainda não saiu do papel no Parque Ayrton Senna, no bairro Aero Rancho. Pelo menos 200 atletas da Capital, são prejudicados diretamente com a falta de uma pista sintética para treinar.
A presidente da Federação de Atletismo de Mato Grosso do Sul (FAMS), Valéria Cristina Gonçalves Calháo Silva, lamenta a situação. “Com certeza o ganho dos competidores seria muito alto com uma pista emborrachada, de padrão internacional. A qualidade de treino elevaria em 1.000%”, avalia.
Sem a pista sintética, os atletas recorrem ao Centro Esportivo da Vila Nasser. No local, porém, a pista é de pó de pedra e não permite o rendimento ideal nos treinos. “Muitos atletas quando vão competir fora do Estado ficam deslumbrados (com a pista sintética). Mas não estão acostumados e chegam em desvantagem frente aos adversários”, ressalta Valéria.
A falta de estrutura revolta os competidores, que em busca de melhor condição para treinar são obrigados a deixar o Estado. O paratleta olímpico, Yeltsin Jacques, segue sua preparação em Dublin, na Irlanda. “Ninguém pode questionar nada em Mato Grosso do Sul, os atletas daí são heróis por conseguirem treinar”, afirma.
José Roberto Jacques, pai de Yeltsin, lamenta o descaso com o atletismo. À frente da Associação dos Corredores de Rua e Pista de Campo Grande (Acorp/CG), José Roberto lembra que além do filho já viu vários outros atletas deixarem o Estado. “A falta de condição de treino, a falta de estrutura é o que mais atrasa o esporte local”, reclama.
ORDEM DE SERVIÇO
José Roberto acompanha o caso da pista sintética, desde o lançamento do projeto em 2012. A situação piorou depois que o ex-ministro, George Hilton, assinou uma ordem de serviço, em agosto de 2015, durante visita à Capital.
Com o lançamento do início da obra, todo o concreto foi retirado da antiga pista. A promessa era de que o novo piso fosse entregue no último dia 29 de junho, o que não aconteceu. “Pelo menos tinha uma pista de concreto”, lamenta o presidente da Acorp.
Quando assinou a ordem de serviço, o ex-ministro anunciou a liberação de R$ 5,9 milhões pelo Ministério do Esporte. Outros R$ 2,4 milhões seriam da prefeitura.