Cidades

CAMPO GRANDE

PRF que matou empresário é identificado e está detido em delegacia

Caso aconteceu na manhã de hoje, após suposta briga de trânsito

Redação

31/12/2016 - 14h41

Foi identificado como Ricardo Hyun Su Moon, de 47 anos, o policial rodoviário federal que atirou e matou o empresário Adriano Correia, 33 anos, após suposta briga de trânsito na manhã deste sábado, em Campo Grande. Ele estava se deslocando para a fronteira de Mato Grosso do Sul, onde estava escalado para trabalhar hoje.

O policial está detido na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) do Centro. O PRF deve passar por exame de corpo de delito e será transferido para outra unidade da Polícia Civil, informou o delegado que atende o caso, João Eduardo Davanço.

Moon foi convocado este ano para integrar a corporação. Antes disso, ele atuava na Polícia Civil de São Paulo.

Além de responder criminalmente pelo ocorrido, o policial rodoviário federal também será investigado pela Corregedoria da PRF por meio de Processo Disciplinar Administrativo (PAD).

VERSÃO DO POLICIAL

A assessoria da PRF em Mato Grosso do Sul afirmou que, na versão do policial preso em flagrante, ele teria tentado abordar a caminhonete Toyota Hilux conduzida por Adriano Correia, que teria desobedecido e avançado com o veículo na direção do agente. Diante da ocorrência, o policial, que dirigia uma Mitsubishi Pajero, teria perseguido a vítima e efetuado os disparos em seguida.

CASO

O empresário Adriano Correia foi morto por um policial rodoviário federal após briga de trânsito na manhã deste sábado, no Centro de Campo Grande, atingido por quatro disparos, segundo a perícia. Ele sofreu duas perfurações no tórax, uma na costela e outra no braço direito. O crime aconteceu enquanto vítima e dois familiares retornavam de uma casa noturna onde foram comemorar aniversário.

Informações da Polícia Civil apontam que Ricardo Moon teria disparado pelo menos sete vezes. O caso ocorreu na Avenida Presidente Ernesto Geisel, entre a Rua 26 de Agosto e a Avenida Fernando Corrêa da Costa, quase em frente à Capela da Pax Mundial. No cruzamento da 26 com a Ernesto Geisel, peritos apreenderam sete cápsulas de pistola, e mais uma perto do veículo da vítima. 

Adriano é proprietário do Madalena Restaurante e de uma unidade do Sushi Express. Ele estava na casa noturna com dois homens da família antes de ser morto. De acordo com testemunhas, por volta das 5h50, ele e os acompanhantes seguiam em uma caminhonete Toyota Hilux pela Ernesto Geisel, quando perto do cruzamento com a Avenida Afonso Pena supostamente teriam fechado a Mitsubishi Pajero ocupada pelo PRF. Este, por sua vez, estaria indo para o trabalho e não gostou da situação. Por isso, perseguiu Adriano e os demais para tirar satisfações.

VERSÃO DAS TESTEMUNHAS

Após passar pela Afonso Pena, os veículos pararam e todos desceram para discutir. Um mototaxista que teria flagrado a ação desde o início disse que a vítima pediu desculpas e falou que, caso fosse preciso, poderiam acionar a polícia de trânsito. O PRF, aparentemente alterado, não se identificou em momento algum como autoridade, sacou a arma e passou a ameaçá-los, razão pela qual todos voltaram para a caminhonete e fugiram. O autor foi atrás e atirou pelo menos sete vezes, perto do cruzamento da 26 com a Ernesto Geisel.

Adriano foi atingido, perdeu o controle da direção e, quase em frente à Capela da Pax, bateu violentamente em um poste. 

Testemunhas que acompanhavam velório na Capela afirmaram terem ouvido o som do disparo e, ao verificar o ocorrido, viram um homem caído fora da Hilux e o PRF chegando logo em seguida em sua Pajero, com a arma em punho. “As outras pessoas estavam gritando e ele desceu armado para atirar, ia matar todo mundo, mas daí ele viu esse monte de gente que saiu do velório, se assustou e guardou a arma”, afirmou uma mulher que presenciou o desfecho dos fatos, mas que preferiu não ser identificada.

Os dois homens, que seriam muito provavelmente parentes de Adriano, foram socorridos pelo Corpo de Bombeiros e levados para a Santa Casa. Um deles foi atingido na perna e o outro teria quebrado o braço em razão da batida. O corpo do motorista ficou no local até a chegada da perícia. Após os tiros, o PRF telefonou para colegas e advogado e foi embora, deixando a Pajero estacionada. Vídeo feito por testemunhas mostram o desespero de uma das vítimas gritando que o PRF matou “seu filho sem motivo” e também implorando para que policiais militares prendessem o autor.

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