O policial rodoviário federal, Ricardo Hyun Su Moon, de 47 anos — preso depois de matar a tiros o empresário Adriano Correia do Nascimento,32, em briga de trânsito — vai permanecer em uma das celas da Delegacia de Repressão a Roubo a Banco, Assalto e Sequestros (Garras) até “segunda ordem”. A informação é do delegado Fabio Peró.
De acordo com Peró, “a ordem é que ele permanecesse aqui”. O delegado disse ainda não ter conversado com Moon por não ser responsável pelo caso e pontuou que, se tiver novo depoimento, será na 1ª Delegacia de Polícia.
SOLTURA E PRISÃO
Ricardo Hyun Su Moon foi preso, em casa, por volta das 6h desta quinta-feira.
A decisão para prender preventivamente o PRF foi expedida às 23h de ontem pelo juiz plantonista José Andrade Neto, o mesmo que havia decidido pela soltura de Ricardo um dia depois do crime. O juiz atendeu o pedido feito anteontem pelo Ministério Público Estadual (MPE).
Moon foi levado para o Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol) onde passou por exame de corpo de delito, procedimento padrão depois de prisões, e permaneceu no prédio por cerca de 2 horas.
Pouco antes das 9 horas, o policial foi levado do instituto em um carro descaracterizado, trocou de veículo no meio do caminho e seguiu para a sede do Garras, onde chegou às 9h15min desta manhã.
O CASO
O empresário Adriano Correia foi morto por um policial rodoviário federal após briga de trânsito no dia 31 de dezembro, no Centro de Campo Grande, atingido por cinco disparos, segundo a perícia. Ele sofreu duas perfurações no tórax, uma na costela e outra no braço direito. O crime aconteceu enquanto vítima e dois familiares retornavam de uma casa noturna onde foram comemorar aniversário.
Informações da Polícia Civil apontam que Ricardo Moon teria disparado pelo menos sete vezes. O caso ocorreu na Avenida Presidente Ernesto Geisel, entre a Rua 26 de Agosto e a Avenida Fernando Corrêa da Costa, quase em frente à Capela da Pax Mundial. No cruzamento da 26 com a Ernesto Geisel, peritos apreenderam sete cápsulas de pistola, e mais uma perto do veículo da vítima.
Adriano era proprietário do Madalena Restaurante e de uma unidade do Sushi Express. Ele estava na casa noturna com dois homens da família antes de ser morto. De acordo com testemunhas, por volta das 5h50, ele e os acompanhantes seguiam em uma caminhonete Toyota Hilux pela Ernesto Geisel, quando perto do cruzamento com a Avenida Afonso Pena supostamente teriam fechado a Mitsubishi Pajero ocupada pelo PRF. Este, por sua vez, estaria indo para o trabalho e não gostou da situação. Por isso, perseguiu Adriano e os demais para tirar satisfações.
A assessoria da PRF em Mato Grosso do Sul afirmou que, na versão do policial preso em flagrante, ele teria tentado abordar a caminhonete Toyota Hilux conduzida por Adriano Correia, que teria desobedecido e avançado com o veículo na direção do agente. Diante da ocorrência, o policial, que dirigia uma Mitsubishi Pajero, teria perseguido a vítima e efetuado os disparos em seguida.