Profissionais da área de enfermagem que trabalham na Santa Casa de Campo Grande aprovaram "operação tartaruga" por tempo indeterminado a partir de amanhã (10). A assembleia para deliberar sobre a paralisação aconteceu ao meio-dia e meia de hoje na sede do Sindicato dos Trabalhadores na Área de Enfermagem de Mato Grosso do Sul (Siems).
A entidade divulgou que há atraso salarial e ao sindicato a direção da Associação Beneficente Campo Grande (ABCG), que administra o hospital, informou que não há prazo para pagamento. O atraso no repasse de verbas públicas seria o motivo do atraso.
“Os atrasos são constantes. No mês passado, nos deparamos com o atraso do 13º salário, que só foi pago após pressão dos trabalhadores. Agora o salário de dezembro, que deveria estar na conta no 5º dia útil e não foi depositado. Isso é uma falta de respeito para com os profissionais”, criticou Lázaro Santana, presidente do Siems.
A programação divulgada é que as paralisações acontecerão a cada três horas e a promessa é de adesão de 70% dos profissionais que trabalham na Santa Casa. Os horários definidos serão das 6h às 9h; das 12h às 15h e das 18h às 21h.
Ao mesmo tempo, a diretoria do Siems informou que fará reunião com o secretário municipal de Saúde Pública, Marcelo Luiz Brandão Vilela, amanhã, às 8h, na secretaria, que fica no Centro de Campo Grande.
O encontro servirá para ficar inteirado de como estão os repasses para o hospital. Apesar de haver verba dos governos federal, estadual e municipal, é a prefeitura quem faz o pagamento à Santa Casa do montante, que é em torno de R$ 20 milhões mensais.
Para atender o Sistema Único de Saúde (SUS) e receber repasses públicos, o hospital precisa ter contrato com o governo municipal. Essa contratualização venceu em 8 de dezembro e o ex-prefeito Alcides Bernal (PP) não assinou renovação.
A Promotoria de Saúde do Ministério Público tentou auxiliar na negociação e não conseguiu e a denúncia de falta de acordo foi encaminhada para a Promotoria de Patrimônio Público e Social para investigar possível ato de improbidade administrativa.