Primeiro transplante de órgão aconteceu na Santa Casa de Campo Grande e teve casal como protagonista. A união que era simbolizada apenas por par de alianças, fortaleceu-se ainda mais e, agora, é representada por nova chance de viver. Enfrentando doença renal desde 2013, Lino Omar Castilho Mendes, 53 anos, recebeu rim doado pela companheira Nídia Maria Narde Castilho Mendes, 51.
A cirurgia aconteceu na manhã de terça (10) e a previsão de alta para os pacientes é para hoje, mesma data em que a história foi divulgada pela assessoria de comunicação do hospital.
De acordo com informações, há cerca de quatro anos Lino era renal crônico e sofria de outras doenças que agravavam ainda mais o quadro de saúde. A doença já estava em fase final e hemodiálises eram feitas com determinada rotina desde de 2013.
Nídia Maria, esposa do paciente há 20 anos, conta que ficou surpresa quando exames começaram a apresentar resultados compatíveis para o transplante. Ela era a única opção, visto que os quatro filhos dos casal são jovens, o que não é indicado para esse tipo de cirurgia. “Fiz várias vezes os exames, e não imaginava o que isso resultaria por eu ser apenas esposa. Nós não perdemos a esperança de uma vida melhor. Até que no final do ano passado em um retorno ambulatorial veio a surpresa com as notícias da compatibilidade entre nós”, comemorou.
Segundo a Santa Casa, a compatibilidade entre pessoas que não são da mesma família não é comum e o transplante só deu certo nesse caso porque os dois têm o mesmo tipo sanguíneo e porque Nídia não tem histórico de doença na família.
MOTIVO DE COMEMORAÇÃO
Depois do diagnóstico e da notícia de que a companheira estava apta para doar um dos seus rins, sentimentos de alívio e felicidade contagiaram o casal. “Após a confirmação de que eu podia ser a doadora, nós ficamos muitos felizes. Foi o nosso presente de 2017. Agora ele tem um pedacinho meu dentro si”. Em resposta, Lino retribuiu o carinho da esposa. “Nossa união é ainda maior a partir de agora e tudo será diferente”, finaliza.
A cirurgia dos dois teve início por volta das 7h30min da manhã de terça-feira. Conforme descrição do hospital, Nídia foi a primeira a entrar na sala de cirurgia e a retirada do órgão durou aproximadamente uma hora. Em seguida, equipe médica realizou o implante em Lino.
Médicos explicam que os dois rins do paciente foram mantidos e novo implante feito pouco abaixo de um dos órgãos originais. Ainda segundo especialistas, neste tipo de transplante não há necessidade de grau de parentesco. Os dois (doador e receptor) devem ter o mesmo grupo sanguíneo (A, B, AB ou O) ou serem de grupos compatíveis entre si (por exemplo, um rim de um doador do grupo O pode ser transplantado em receptores de qualquer grupo sanguíneo).
Os procedimentos foram realizados sem intercorrência e concluídos às 12h do mesmo do dia. Na manhã de ontem, o casal já se recuperava bem e liberação do hospital está prevista para esta quinta-feira.