Mulher de 35 anos que teve aborto em casa na madrugada de hoje, no Bairro Jardim Zé Pereira, em Campo Grande, depois de tomar dipirona, fez curetagem para esvaziamento da placenta na Santa Casa de Campo Grande.
Após ingerir medicamento que é contraindicado para gestantes, o feto, de 48 centímetros foi encontrado enrolado em um cobertor em cima da cama e a polícia investiga se o aborto foi espontâneo ou induzido pela mulher.
Diante da situação, a mulher está sendo acompanhada por equipe médica e psicológica da unidade hospitalar onde está internada.
O CASO
De acordo com boletim de ocorrência, a vítima informou aos policiais que enquanto dormia sentiu a cama molhada, tentou se levantar, mas caiu no chão. A filha da gestante a encontrou caída no quarto e chamou socorro. Ninguém da família sabia que a mulher estava grávida, segundo relatos de parentes à polícia.
Quando socorristas chegaram, encontraram feto enrolado em um cobertor em cima da cama. Medicamentos abortivos foram procurados por equipe da perícia, mas nada foi encontrado. A mulher foi levada para Santa Casa da Capital e o feto encaminhado para Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol) da Capital.
A polícia investiga o caso para verificar se a criança nasceu com vida ou se a mãe realizou manobra abortiva. Será realizada uma perícia necroscópica para atestar a causa da morte do bebê.
HISTÓRICO E DIPIRONA
A filha da gestante contou aos policiais que ontem à noite, antes de dormir, a mãe passou mal dentro do banheiro. Ao ser questionada pela filha, a mulher disse que estava com dor de cabeça e pediu remédio. A filha conta ter dado dipirona para a mãe.
Na madrugada de hoje, a jovem encontrou a mãe caída no chão perdendo muito sangue e chamou o atendimento médico. Ela também informou à polícia que não sabia que a mãe estava gestante e não percebeu que um bebê estava no quarto pois não ouviu nenhum tipo de choro.
A mãe da gestante informou também à polícia que suspeitava que a filha estivesse grávida, mas que não tinha certeza e que há pouco tempo ela perdeu o pai e tinha sintomas de depressão.
De acordo com especialistas, dipirona sódica é capaz de passar pela placenta, atingindo o feto. Pesquisas comprovam que a dipirona, quando consumida nos primeiros 3 meses de gestação pode causar má formação do feto, ou ainda atraso no desenvolvimento deste, sendo que o consumo da medicação em doses elevadas pode causar até mesmo a morte do embrião.