Cidades

SAÚDE

Com problemas financeiros, hospitais podem reduzir leitos e até demitir

Atraso de repasse por parte da prefeitura agrava situação das instituições

Redação

07/02/2017 - 17h55

Atraso de repasse por parte da prefeitura pode comprometer ainda mais a situação financeira dos hospitais de Campo Grande. No São Julião, por exemplo, há risco de fechamento de leitos e diminuição do número de consultas enquanto a direção da Santa Casa teme pela greve de funcionários e adiamento de cirurgias eletivas - aquelas que são agendadas.

O atraso foi admitido nesta manhã pelo prefeito Marcos Trad (PSD), durante o evento de entrega de três viaturas para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Na ocasião, ele disse que todos os repasses serão liberados e que pode haver até aumento na ajuda, no entanto, não há prazo para isso.

Enquanto a data para o pagamento não é definida, a direção do São Julião estuda medidas para reduzir custos, conforme explica o diretor da unidade, Amilton Fernandes Alvarenga. “Não recebemos nada no mês de janeiro. Não pagamos fornecedores e já estamos pensando em reduzir atendimentos”, adiantou.

Ele ressaltou que o problema não está relacionado exclusivamente a esta demora da prefeitura em transferir o dinheiro para a conta do hospital.

Isto porque, desde junho do ano passado, o hospital trabalha com déficit mensal de R$ 250 mil. Quando há atraso em qualquer repasse, a negociação com os credores se agrava.

Dentre as alternativas cogitadas pelo diretor do hospital, a diminuição de 300 consultas oftalmológicas por mês, fechamento de 20 leitos e redução de 20% do pessoal. “Ao longo do tempo, o São Julião vem realizando mais atendimentos que o contratado, mas a crise pegou todo mundo e estamos absolutamente sem dinheiro”, lamentou ele, ressaltando que o contrato com a Prefeitura continuará sendo cumprido.

SANTA CASA

Situação semelhante é enfrentada pela direção da Santa Casa. O diretor-presidente da Associação Beneficente Campo Grande (ABCG), gestora do hospital, Esacheu Cipriano Nascimento informou que a preocupação maior é com pagamento da folha de funcionários para evitar paralisações.

De acordo com Esacheu, o repasse da União, Governo do Estado, e Prefeitura gira em torno de R$ 20 milhões, sendo R$ 13 milhões destinados ao pagamento de funcionários e impostos.

A reportagem também tentou contato com a maternidade Cândido Mariano, hospitais Nosso Lar, do Câncer e Universitário para ter mais detalhes sobre os repasses. 

O diretor do Hospital de Câncer, Carlos Coimbra informou já ter recebido todo o recurso do Fundo Nacional de Saúde que estava pendente. Isto porque ele entrou na Justiça para garantir o recurso.

O HU informou que até amanhã irá enviar o posicionamento sobre o assunto.

RESPOSTA

Em nota, a assessoria da Secretaria Municipal de Saúde Pública (Sesau) respondeu que "os recursos que deveriam ser repassados no ano de 2017 somente foram efetuados aos hospitais Santa Casa e Hospital do Câncer, que dispunham de medida judicial. Os demais estão em processo de negociação e devem ser regularizados o mais breve possível. É importante frisar que essas pendências se arrastam há mais de seis meses, tendo  a atual administração não medido esforços para resolver essa questão".

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