Atitude simples que no dia a dia passava despercebida, hoje é comemorada pelos pais do adolescente de 17 anos, violentado na sexta-feira, 3, com mangueira no ânus, por funcionário e dono de lava a jato que trabalhava em Campo Grande. Depois do episódio, o menino reage bem e bebeu água pela primeira vez.
Conforme a mãe do adolescente, de 44 anos, cada melhora no quadro clínico do filho é muito comemorada. “Fiquei muito feliz vendo ele beber água”, contou. Ao ser questionada se o garoto comentou sobre o que aconteceu naquele dia no lava a jato, a mãe diz que tem poupado o menino.
“Ele está como um cristal”, respondeu a dona de casa em referência aos cuidados com que tem tratado o adolescente. “Beijei os pés dele, fiz massagem. Estão bem inchados e ele vai ter que fazer fisioterapia”, explicou.
O casal esteve na delegacia especializada na repressão aos crimes contra criança e adolescente (Depca) na tarde de hoje, para relatar, segundo o pai do menino, que iria viajar e retornaria na terça-feira para Campo Grande.
Indagado sobre o paradeiro de um dos suspeitos de ter praticado o crime, um vizinho de 30 anos, familiares relataram que nunca mais foram vistos. Com todos os motivos para se sentir revoltado, o pai do menino ainda teme que algo de pior aconteça com o homem.
“Me perguntaram se eu tinha visto ele, eu disse que não, e que é bom que nem apareça, pois as pessoas estão revoltadas. Me preocupo com ele, com a integridade dele. A primeira vez que vi meu filho naquelas condições minha vontade era outra, mas depois a gente coloca a cabeça no lugar”, ponderou o pai da vítima.
Já a mãe, por se tratar de um amigo do filho dela e que constantemente frequentava a casa, não poderia imaginar que tamanha crueldade partisse de pessoa tão próxima. “Nunca imaginei, sempre pensei, se é amigo do meu filho, é meu filho também”, desabafou a mulher ao reforçar que o filho segue internado na Santa Casa sem previsão de alta.
O delegado Paulo Sérgio Lauretto, responsável pelo caso, classificou como “brincadeira inconsequente” o episódio. Palavras da autoridade policial causou indignação. Para hoje estava previsto manifesto, às 15h, em frente a delegacia, porém, única forma de protesto que a reportagem encontrou foi um cartaz de cartolina grudado no portão de uma residência de frente à delegacia. “É filho de pobre né Dr. Laureto, pra que justiça”, dizia o cartaz.
Além das sequelas emocionais, o jovem deverá passar por tratamentos como fisioterapia e reeducação alimentar.
AJUDA
Moradores de Bela Vista, sensibilizados com ato de crueldade se uniram para arrecadar dinheiro e ajudar a família do adolescente. Há um ano e três meses um grupo de 55 mulheres se uniram e criaram o “Mulheres do Bem”, que tem único objetivo de ajudar quem precisa.
Neste domingo, a partir das 9h, será vendido pastel, a R$ 1 cada. Intenção é vender um mil unidades e enviar o dinheiro aos pais do jovem. A Pastelada Solidária acontece na Rua Barão do Melgaço, 1362, no Centro de Bela Vista.
VAQUINHA
Também comovido e indignado com o caso do menino violentado, o publicitário Wilame Morais, de 32 anos, resolveu criar uma página no site do vakinha solidária para arrecadar dinheiro, alimento e ajudar a família do adolescente, já que a mãe não trabalha, o pai tem câncer e a única fonte de renda era do trabalho do filho, no lava a jato.
Quem quiser ajudar pode acessar o site: https://www.vakinha.com.br/vaquinha/ajude-43c6ea89-9c43-4b05-a4c2-3efd19dcfc3d