Dez dias após o início do movimento das mulheres de policiais que bloquearam a saída dos batalhões e quartéis da Polícia Militar no Espírito Santo, a Grande Vitória teve, nesta segunda-feira (13), seu primeiro dia de quase normalidade.
O comércio abriu as portas, assim como as escolas e unidades de saúde. Os ônibus também voltaram a circular em sua normalidade, mas o medo ainda é presente na rotina dos capixabas.
Entre os depoimentos de moradores da região metropolitana de Vitória ouvidos pela Folha de S.Paulo, o consenso é de que há segurança nas ruas, mas o trauma da onda de violência que resultou em 144 mortes registradas até a noite de ontem (12), além dos saques, roubos de carro, assaltos e arrombamentos, ainda estão fortes na memória do capixaba. Aos poucos, a população tenta voltar ao seu cotidiano normal.
"Nunca vi o terminal tão protegido. Podia ser assim sempre. Eram cerca de 12 homens do Exército. Vi uma coisa interessante. Tinham mulheres no posto policial do meu bairro, já que tem essa ordem do governo para eles irem direto para o local de trabalho, sem passar pelos batalhões. Mas vi o policiamento apenas em áreas mais nobres da cidade. Na região mais periférica, não vi nada", conta a analista contábil Alexandra Pacheco, 37, moradora de Cidade Continental, na Serra, e que trabalha em Jucutuquara, em Vitória.
A jornalista Lorena Meireles, 30, moradora de Itapuã, em Vila Velha, afirmou que não foi fácil chegar ao trabalho na manhã de hoje, no centro da mesma cidade. "Meu ônibus não passou. Tive que ir para outro ponto depois de vinte minutos esperando. Vi pessoas assustadas. O clima está estranho. Blindados passando pela rua e uma rotina tentando se encaixar. Demorei cerca de quarenta minutos para chegar. Geralmente demoro menos", afirmou.
A bibliotecária Juliana Fernandes Costa, 37, mora na Praia da Costa, em Vila Velha, e trabalha em Jesus de Nazaré, em Vitória, na biblioteca de uma escola municipal. Segundo ela, o trajeto, feito de carro, foi bem mais demorado do que o habitual para o horário e que, inclusive, houve momentos em que a ponte ficou completamente parada, o que não é normal, já que de acordo com ela, sempre há só o trânsito lento.