Milhares de quilômetros separam Lucinéia Santos do estúdio de rádio em Chapadão do Sul. O cenário montanhoso da ilha grega de Lebos, entrecortado por tendas de lonas, já foi um dos locais de sua missão humanitária junto a refugiados rumo à Europa, que também inclui áreas na Turquia.
Há dois anos a experiência de ajuda ao próximo teve início. Organizada pela ONG Jovens com uma missão, a chapadense colaborou em ações com a comunidade ribeirinha da cidade paraense de Santarém e no desastre ambiental da mineira Mariana. Internacional é a primeira vez.
No grupo, que percorre Grécia e Turquia, são 14 brasileiros e um peruano. Dentre os desafios mais marcantes do trabalho com os refugiados estão, conforme a chapadense, a impotência de ajudar todos que precisam e a proximidade do tráfico humano, que se aproveita de quem foge das áreas de conflito na África e Oriente Médio.
Trabalho humanitário consiste em limpar áreas comuns, organizar alimentação e recuperar estruturas para chegada dos refugiados, além de realizar atividades como teatro e música. Somente em Lesbos, mais de 62 mil permanecem retidos em sua peregrinação rumo à Europa.
Para seguir ao continente europeu, no entanto, a jovem de 24 anos contou com apoio dos pais, da Igreja Presbiteriana e de doadores de Chapadão do Sul. “Me motivou a isso a vontade de fazer igual a Jesus [Cristo]. O que puder, devo fazer pelo próximo”, ressaltou.
Enquanto ainda participa de ações de educação e saúde, Lucinéia conseguiu aprender algumas palavras com universitários turcos. Houve ainda intercâmbio de experiências com representantes das ONGs Lighthouse Relief e River Istanbul Church.
Retorno para Mato Grosso do Sul será em março, porém por pouco tempo. Isso porque daqui dois meses outra missão tem início no Haiti. No país caribenho, a radialista que deixou o emprego para ajudar ao próximo incluirá a construção de casas e escolas.