Cidades

DIABETES

Falta de estoque deixa 360 pacientes sem insulina em Campo Grande

Grupo protestou ontem em frente ao Centro de Especialidades Médicas

Redação

04/03/2017 - 07h00

Sem estoque de insulina, 360 pacientes com diabetes não têm acesso à medicação específica para controlar a doença há pelo menos dois meses em Campo Grande. O grupo protestou ontem em frente ao Centro de Especialidades Médicas (CEM) e pediu agilidade da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) para que o medicamento seja entregue aos doentes.

Em nota, o órgão afirmou que distribui 1 mil refis de insulina Lantus (injetável) por mês, para os 360 pacientes que solicitaram a medicação judicialmente. Porém, em novembro do ano passado - ainda na gestão do ex-prefeito Alcides Bernal (PP) -, “foi solicitado o pregão eletrônico do medicamento e ele não foi finalizado causando o desabastecimento. Ciente da necessidade, a atual administração reabriu o pregão em fevereiro deste ano e o empenho para o pagamento já foi efetuado nesta sexta-feira, dia 03”. Ainda de acordo com a Sesau, o fornecedor tem dez dias para realizar a entrega do medicamento.

Para quem aguarda pelo remédio, o tempo de espera pode levar a complicações. É o caso da jornalista Jocicleyde Pecorari, 32 anos, que usa a insulina Lantus desde 2007. “Só consegui após ação judicial. É uma medicação melhor do que a distribuída no posto. Me dá menos reação adversa e melhor qualidade de vida. Mas como fiquei alguns dias sem, cheguei a ficar internada duas semanas atrás”. 

Ela vive com diabetes há 20 dias, e usa quatro refis por mês - média de um por semana. Caso fosse comprar a medicação, teria que desembolsar R$ 560 a cada 30 dias. “Todas as pessoas que buscaram a Justiça é porque não têm condições de bancar. É um remédio de alto custo, inacessível para a grande maioria que depende do Sistema Único de Saúde (SUS)”.

Priscila Gimenez, 35 anos, está desempregada e mesmo assim precisou comprar três refis do remédio para a filha, Juliana, de apenas 9 anos - que usa medicação desde os 2 anos de idade. “Ela não pode ficar sem. Eu entrei na Justiça porque ela usava a insulina NPH, que é distribuída no posto. Mas tinha muita reação, passava mal, não conseguiu se adaptar e não fazia mais efeito para ela, por isso mudamos para a Lantus”. 

Por conta da falta do remédio na rede pública, ela precisou comprar e gastou R$ 346. “Eu consegui comprar duas vezes por R$ 100, mas o preço é R$ 140. A gente liga no CEM, vai lá, e sempre dizem que não tem, nem previsão. E não é só o remédio, agulha, insumos, está tudo em falta. Eu vou ter que entrar na Justiça de novo”, diz Priscila.

Os dois tipos mais graves de diabetes são a “1”, que  é a condição crônica na qual o pâncreas produz pouca ou nenhuma insulina, e a “2” que afeta a forma como o corpo processa o açúcar (glicose) do sangue. A médica endocrinologista, Luciana Bento, explica que o paciente com diabetes pode ter graves complicações caso não use a medicação corretamente. “O controle dos níveis de glicemia no sangue resulta em problemas diversos, desde alteração da consciência, que chamamos de coma, até cegueira e amputações nos membros inferiores. O açúcar no sangue é ácido, queima os vasos e afeta principalmente a região dos olhos e as pernas”.

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