Homens que cumprem pena no Centro Penal Agroindustrial da Gameleira (CPAIG) estão trabalhando na construção de um dos três novos presídios de Campo Grande. Ao todo, 20 presos integram a equipe responsável pelas obras. Eles recebem um salário mínimo mensal e têm direito a um dia de remissão da pena a cada três de serviços prestados.
Segundo informações da assessoria de imprensa da Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen), os detentos representam cerca de 20% da mão de obra empregada na construção do novo presídio. Eles têm uma jornada de trabalho de 44 horas semanais, distribuídas de segunda a sexta-feira.
O engenheiro Robélio Macoli, gestor da obra, explica que os detentos atuam, principalmente, em serviços de ajudante, mas podem evoluir de tarefas. “A gente faz avaliação, triagem, e, conforme demonstram uma habilidade especial, direcionamos para o serviço”.
John Willian, de 27 anos, por exemplo, exerce serviços de pintura. Cumprindo pena por roubo, ele vê no trabalho oportunidade de recomeçar. “Eu perdi tudo, e quero começar tudo de novo. Entrei no crime por bobeira, não precisava. Achava que nada iria acontecer comigo, mas foi bem diferente. Trabalhando honestamente, não preciso me esconder, posso gastar meu dinheiro tranquilo sem ter medo da polícia chegar e me prender”, declara.
Ele está prestes a receber o benefício de livramento condicional e acredita que o trabalho na construção civil vai abrir oportunidades. “Tanto posso ser contratado como empregado e continuar trabalhando aqui, como conseguir uma indicação em outro emprego onde eu possa ganhar mais”, comenta.
De acordo com a chefe da Divisão de Trabalho da Agepen, Elaine Cecci, a construção civil é um dos ramos que mais emprega homens que deixaram o sistema penitenciário. Elaine afirma que atualmente, 10% das parcerias estabelecidas pela Agepen com empresas é na área, ocupando cerca de 80 internos no Estado, por meio de convênios.
Os presos são contratados conforme a Lei de Execução Penal (LEP) e o contrato não segue as mesmas regras da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT).
Esta iniciativa faz parte de um convênio entre a Engepar e o Conselho da Comunidade, com o apoio da (Agepen).
O PRESÍDIO
Ao todo, estão sendo construídas três unidades no Complexo da Gameleira, em Campo Grande. São dois presídios masculinos, com 603 vagas cada, e um feminino, com 407 vagas. (Com assessoria)