Estender a mão para desejar bom dia aos usuários do transporte coletivo de Campo Grande. Esta é a rotina do motorista Joacir França Floriano, de 32 anos. Do lado de fora do ônibus, a atitude dele pode ser vista como corriqueira, mas para os passageiros, habituados àquele ambiente estressante, o gesto do profissional é visto como raridade.
Passageira, que pediu para não ter a identidade divulgada por questões profissionais, quem procurou a reportagem do Portal Correio do Estado e sugeriu a matéria. “Ele é super educado, simpatia pura! Pego ônibus com prazer com este motorista”, disse. Ela é categórica em afirmar que esta opinião é compartilhada por todos. “A gente sente que ele gosta do que faz”.
Despretensioso, Joacir afirma não se achar diferente dos demais motoristas. “Sou igual a todos. Acredito que gentileza gera gentileza”. Entretanto, ele reconhece que este comportamento gentil já foi visto com estranheza por alguns passageiros, confirmando não ser regra, mas exceção.
“Na primeira vez a pessoa leva um susto porque não está acostumada. Às vezes acham que está ‘dando em cima’ que você é meio oferecido. Mas não é isso”, diz ele, garantindo ser o mesmo tratamento “independente do sexo, da idade, ou da orientação sexual”.
Passado o “espanto”, os passageiros começam a elogiar o comportamento do motorista. “Alguns esperam para pegar ônibus com a gente pela forma de tratar”, diz.
OUTRAS HISTÓRIAS
Joacir é motorista de ônibus coletivo há seis anos e hoje trabalha na linha 061 Moreninha-Shopping. Antes disso, ele era sargento do Exército, onde também dirigia.
Das histórias marcantes nesse período em que atua nas ruas de Campo Grande, ele lembra de ter descido do ônibus para ajudar homem paraplégico atravessar a rua. “Saí correndo com a cadeira de rodas igual fórmula 1 porque senão ele ia demorar muito para atravessar. Os passageiros ficaram esperando. Todo mundo entendeu e ninguém reclamou”.
Em outra ocasião, quando dirigia circular 063, Joacir organizou “vaquinha” para ajudar bebê que passava por problemas de saúde. “Quando a pessoa entra no ônibus e não está bem a gente já percebe”.
É por isso que, além de sorrir e desejar bom dia, ele não deixa de andar com caixinha de som para animar o dia dos passageiros. “Toca tudo, menos funk. É pra todo mundo começar o dia bem”, brinca.