Cidades

BODAS DE DIAMANTE

Casal completa 60 anos de união: "Ela sempre cuidou de mim e eu dela"

Eles revelam os segredos para se viver junto por tanto tempo

Redação

02/04/2017 - 12h00

Uma vida inteira dividida e multiplicada. O trocadilho é referente aos 60 anos de união que Oswaldo dos Passos Pereira, de 83 anos e Evanil Pereira Nantes, de 79, comemorados ontem, durante festa surpresa das Bodas de Diamante, e dos nove filhos, 20 netos e 40 bisnetos que mais uma vez presenciaram a renovação dos votos do casal.

São ao todo, 63 anos juntos. Ele foi o único homem da vida dela. Donos de uma alegria contagiante, quem olha para a família Passos não imagina a dimensão das dificuldades que os genitores passaram para educar nove crianças. Falta de dinheiro, falecimento de um filho e algumas enfermidades uniram e fortaleceram o casal, que dividiu com o Portal Correio do Estado, um pouco das alegrias e tristezas que a vida lhes pregou.

Vizinhos de casa, pode-se dizer que o amor começou ainda na infância, em Corumbá. Ele, com nove anos, já provocava ela, que passava com latão de água preso à cabeça para abastecer a caixa de água da casa. “Ele me tacava pedrinhas no latão, e como era muito pesado, não podia virar a cabeça”, relembra Evanil.

Aos 20 anos, Oswaldo pediu Evanil, com 17, em namoro. “Eu fui até o pai dela e perguntei se podia namorar com ela. Ele então me disse que, como ela gostava muito de mim, ia deixar, mas era para eu me retirar ás 18h. Não deixava a gente sozinho”, relembra ele.

O namoro era na praça, no cinema e até na roda gigante. “Foi difícil conquistar ela, mas eu consegui”, brinca Oswaldo, assumidamente o mais ciumento dos dois. Encabulada, Evanil não deixava o namorado pegar na mão dela em público. “Eu falava para ele, aqui não, vamos lá pra casa. Papai era muito bravo”, conta.

Depois de dois anos, em março, eles se casaram e vieram de Corumbá para Campo Grande em busca de trabalho. Em maio do mesmo ano ela engravidou. Com a primeira filha de 16 dias no colo – nascida de parto normal com auxílio de parteira - o casal se abrigou na casa do irmão de Oswaldo.

O primeiro emprego na Capital era longe, e para chegar até ele era preciso percorrer uma distância que lhe rendia três horas de caminhada, já que carro e bicicleta eram considerados luxo na época. Sem dinheiro, o resto do almoço de Oswaldo era a janta da esposa e ás vezes o almoço do dia seguinte.

Depois de quatro meses na casa do irmão, os dois passaram seis meses na casa de uma comadre. Lá, dormiam no chão, sem colchão, com a filha recém nascida.

A PERDA DE UM FILHO

Dois abortos naturais também são contabilizados na memória do casal. Mesmo com tantas dificuldades deparadas no caminho, o casal esteve sempre unido. Uma das fases mais tristes dos dois é contada com a voz embargada e com a lágrima que corre fácil no rosto de quem sente como se fosse hoje, o que aconteceu há 34 anos.

Com meningite, Valdeci dos Passos Pereira, morreu aos nove anos. “Eu chegava do serviço, cansado, sem comer, sem tomar banho e minha esposa falava que tinha que levar ele no hospital. Então eu pegava a bicicleta e ía”, começou a contar Oswaldo, que foi interrompido pelo soluço do choro ao voltar no tempo.

“Esta foi a pior fase do casamento”, acrescenta Evanil. Carinhoso, as mãos de Oswaldo não saíam dos cabelos brancos da esposa durante a entrevista. Considerado por todos o mais ciumento, o pai, avô e bisavô, é também o mais desinibido e brincalhão.

ALÉM DAS DIFICULDADES

Sempre com o dinheiro curto, as crianças se revezavam nos turnos das aulas. “Quatro estudavam de manhã e quatro a tarde. Quando os da manhã chegavam já tiravam o uniforme para a turma da tarde vestir”, conta Evanil.

Na escola, o ano letivo parecia longo para o tamanho do bolso, e nem sempre o caderno durava até o fim das aulas. “Eu pegava saco de pão, e com eles fazia um caderno. As crianças iam felizes para a escola”, conta Evanil.

Com tanta criança para vestir, uma das formas de economizar era reutilizar os sacos de farinha de trigo para fazer saias, shorts e até calcinhas. “Um monte de gente andava com o shorts escrito farinha”, contou Valdir, um dos oito filhos.​

COMEMORAÇÕES

No decorrer dos 60 anos, esta não é a primeira vez que a família comemora a união dos dois. Festivos, eles gostam e celebrar juntos as datas mais importantes. Quando o casal completou 40 e depois 50 anos de casados, as datas não passaram em branco. E desta vez, não podia ser diferente.

Diante de tantas lembranças boas, algumas nem tanto, Oswaldo se diz orgulhoso por nunca ter deixado a esposa trabalhar fora. “Tenho um orgulho muito grande, mesmo com tantas dificuldades nunca deixei minha patroa trabalhar de empregada. Ela cuidava das crianças”, pontua.

E para garantir o sustento de nove crianças, Oswaldo trabalhava de manhã de pedreiro e de noite de padeiro. Além disso, vendia lenha, verduras e legumes, trabalhou de pintor, encanador e chacreiro. “Precisava trabalhar para ganhar dinheiro e comprar um terreno, a gente morava de aluguel”, conta.

Depois da conquista da primeira casa, no Bairro Belo Horizonte, na Capital, o casal abriu uma mercearia – dentro da residência - e a partir dali as finanças começaram a melhorar. “Da mesma forma que nos ajudaram, acolhemos e ajudamos bastante pessoas”, relembra.

ROTINA

Com a rotina atual mansa, de quem passou anos lutando para garantir o alimento das crianças, hoje, de forma simples e feliz, desfruta das conquistas da vida. O casal é paparicado pelos filhos, netos e bisnetos. Apesar de morarem sozinhos, a casa sempre vive cheia. O filho que não vai visitá-los num dia, vai no outro, e vice-versa.

O dia deles começa às 4h. Enquanto ela toma banho e se arruma, é ele quem faz o café para esperar pelos filhos que ainda pela manhã passam para pedir benção aos pais. “Levantamos cedo e a primeira coisa que fazemos é rezar”. O casal reza junto há pelo menos 15 anos.

O almoço quem faz é ela. Mas de vez em quando ele se rende ao pedido e aos “beijinhos” dela e acaba indo para a cozinha. “Quando ela quer que eu faça o almoço ela vem e me dá um beijinho. Como que eu vou recusar assim?”, brinca.

E para quem está curioso em saber o segredo para conseguir passar seis décadas com a mesma pessoa, a resposta dos dois é simples. Quatro ingredientes fundamentais fortalecem os laços criados ainda na infância. “Paciência, amor, respeito e tolerância”, ressalta Oswaldo. “Quando você vai casar o padre fala, na saúde e na doença. Ela sempre cuidou de mim e eu dela”.

Ao ser questionado se casaria com ela novamente, Oswaldo foi categórico em responder: “Com certeza, passaria por tudo de novo com ela, e do lado dela”.  

JUDICIÁRIO

Fábio Possik Salamene toma posse como desembargador do TJMS

Promovido por merecimento, magistrado tem 27 anos de carreira e assume a vaga deixada pela aposentadoria de Lúcio Raimundo da Silveira

05/11/2026 17h18

Fábio Possik Salamene tomou posse administrativa como desembargador do TJMS nesta quinta-feira (5)

Fábio Possik Salamene tomou posse administrativa como desembargador do TJMS nesta quinta-feira (5) Divulgação/TJMS

Continue Lendo...

Saúde Sob Auditoria

Prefeitura tem 15 dias para explicar R$ 71 milhões da saúde em Campo Grande

Auditoria federal aponta inconsistências e possível devolução de recursos; Câmara cobra documentos e plano para corrigir falhas.

05/11/2026 17h06

use a fachada da Sesau na capa e mantenha a foto de Papy com Dr. Victor Rocha no meio da reportagem, próximo ao trecho sobre o ofício enviado à Prefeitura.

use a fachada da Sesau na capa e mantenha a foto de Papy com Dr. Victor Rocha no meio da reportagem, próximo ao trecho sobre o ofício enviado à Prefeitura. Foto: Arquivo Correio do Estado.

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).