Os dados oficiais divulgados pelo CNE (Conselho Nacional Eleitoral), diferentemente do que apontava a pesquisa de boca de urna, indicam a vitória do candidato governista Lenín Moreno, 64, com 51,12%, contra 48,88% do opositor conservador, Guillermo Lasso, 61.
Esses percentuais, segundo o CNE, correspondem a 96,14% das urnas apuradas. A diferença está em cerca de 220.000 votos e restam pouco mais de 300.000 a serem contados.
Assim que soube dos primeiros resultados oficiais, Lasso afirmou que iria pedir a recontagem dos votos e acusou adulteração em mais de 800 mil cédulas. Disse ainda que entrou em contato com a OEA para denunciar fraude nas eleições. Representantes de seu partido disseram que não iriam reconhecer o resultado e pediram a impugnação da apuração em curso.
O resultado fez com que apoiadores de ambos os lados fossem às ruas de Quito e de outras cidades do país. Diante do CNE, na avenida 6 de diciembre, na região central da capital equatoriana, uma multidão já se reunia desde o final da tarde.
Apoiadores de Lasso gritavam que havia ocorrido uma fraude. "A ditadura correísta está agindo outra vez e quer desrespeitar o voto popular, nós não vamos deixar", disse a congressista Mae Montaño, do partido CREO, de Lasso.
Já os eleitores de Moreno festejavam desde o encerramento das urnas, no palco montado na avenida de los Shyris, tradicional ponto de encontro dos correístas. "Vou ser o presidente de um país sem confrontos, de diálogo e de harmonia", disse Moreno.
Em Guayaquil, diante do CNE local, houve enfrentamento entre seguidores de Lasso e a polícia, que prendeu uma pessoa e usou bombas de gás para conter a multidão, que tentava entrar no prédio.
Segundo Juan Pablo Pozo, presidente do CNE, o comparecimento às urnas foi de 74,82%, índice considerado expressivo.