As investigações da operação "Fatura Exposta", no Rio de Janeiro, mostraram que o governador Sérgio Cabral informou a Sérgio Cortês (integrante da equipe de governo) que 10% de todas os valores contratados pela Secretaria de Saúde seriam repassados em vantagens indevidas, a partir do primeiro mês de mandato. A operação investiga fraudes em licitações para o fornecimento de próteses para o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into).
Segundo o Ministério Público Federal, o delator Cesar Romero, ex-assessor jurídico do Into e ex-subsecretário de Saúde, ofereceu detalhes sobre como seriam os pagamentos: 5% iria para Cabral, 2% para Côrtes, 1% para Romero, 1% para o Tribunal de Contas do Estado e 1% para o esquema. As propinas eram pagas em contas em bancos dos Estados Unidos, para ocultar o real proprietário.
Gravações comprovam que Côrtes tentou "embaraçar as investigações", indo ao escritório de Romero para combinar os temas que seriam incluídos no acordo de delação premiada, conforme o MPF. O delator afirma que Côrtes já esperava ser preso, já que retirou obras de arte e objetos de valor de sua residência e pré-agendou cirurgia de coluna para, acaso fosse decretada a sua prisão, obter munição para requerer uma liberdade provisória a fim de realizar o tratamento.