Cidades

Saneamento básico

Brasil ganharia R$ 537,4 bilhões em 20 anos com 100% de saneamento básico

Trabalhadores afastados por motivos de saúde cairiam de 6,4 milhões em 2015 para 5,3 milhões em 2035

Redação

12/04/2017 - 11h44
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Um estudo do Instituto Trata Brasil mostrou que investimentos para oferecer saneamento básico a todos traria benefícios econômicos e sociais de R$ 537,4 bilhões em 20 anos, isto é, os ganhos com a expansão dos serviços de água e esgoto no Brasil são maiores que os custos para investir no setor. Os setores mais beneficiados são os de saúde, educação, turismo, emprego e imobiliário.

Dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) (2015) mostram que  apenas 50,3% dos brasileiros têm acesso à coleta de esgoto, o que significa que mais de 100 milhões de pessoas utilizam medidas alternativas para lidar com os dejetos – seja através de uma fossa, seja jogando o esgoto diretamente em rios. Quanto ao acesso a água, 34 milhões de brasileiros seguem sem conexão com o sistema.

De acordo com o estudo, o país teria que investir R$ 317 bilhões em 20 anos para que oferecer o acesso aos serviços de água e esgoto a toda a população. Considerando que esse acesso significa um aumento das despesas das famílias, os custos totais chegam a R$ 552,1 bilhões.

Quanto aos benefícios, que envolvem desde a redução dos custos com a saúde até a renda gerada pelo aumento de operação da cadeia produtiva do saneamento básico, os valores chegariam a quase R$ 1,1 trilhão. No final, o balanço positivo é de R$ 537,4 bilhões para o país.

Existem, ainda, os efeitos indiretos do saneamento. Por exemplo, com a universalização, o número de trabalhadores afastados do trabalho por motivos de saúde cairia de 6,4 milhões em 2015 para 5,3 milhões em 2035. Além disso, o estudo prevê uma redução das despesas com internações por infecções gastrointestinais na rede hospitalar do SUS. Por isso, em 20 anos, considerando o avanço gradativo do saneamento, a economia na área de saúde alcançaria R$ 7,3 bilhões.

No âmbito imobiliário, as residências teriam uma valorização média de 12,8%. A previsão é que a universalização traga acesso a água tratada a mais de 33,1 milhões de moradias, e coleta e tratamento de esgoto a 49,1 milhões de casas até 2035.   O estudo estima um ganho de R$ 24,5 bilhões com a valorização ambiental derivada do acesso ao saneamento básico.

Se os investimentos no setor continuarem seguindo o mesmo ritmo dos últimos 10 anos, o país precisaria de 40 anos para atingir a universalização do saneamento.

 

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