Suspeito de caso de estelionato em Corumbá, Maurício Araújo de Oliveira Souza foi apontado pela Polícia Federal e Ministério Público Federal como um "laranja" que seria responsável por administrar uma offshore na Venezuela que movimentou US$ 5 bilhões e servia para lavagem de dinheiro de quadrilha que falsificava documentos públicos e praticava evasão de divisas.
Souza, conforme dados do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, é natural de Campo Grande e morreu há três anos, de acordo com investigação da Polícia Federal.
O que a PF descobriu é que o nome de Maurício constava em documentos como responsável pela Global Recreative Sistem GRS CA, que foram encontrados no escritório da advogada Claudia Chater, em Brasília.
Chater é investigada por coordenar organização criminosa que atuava na emissão de passaportes brasileiros a pessoas de origem árabe, entre outros crimes. Ela é prima do doleiro Carlos Habib Chater, pivô na Lava Jato. Quem dava apoio à advogada nesses crimes era Edvado Pinto Ribeiro. Ambos foram presos na quarta-feira, na Operação Perfídia.
Durante essa ação, policiais deslocaram-se em 12 estados para cumprimento de 55 mandados de busca e apreensão, 46 de condução coercitiva e dois de prisão temporária (Claudia Chater e Edvaldo Ribeiro). A ação teve ramificações no Distrito Federal, Bahia, Maranhão, Minas Gerais, Goiás, Pará, Piauí, Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo, Tocantins e Mato Grosso do Sul.
Antes, em dezembro de 2016, mandados autorizados pela 10ª Vara Federal de Brasília, pelo juiz Ricardo Augusto Soares Leite, ajudaram a Polícia Federal a identificar as práticas criminosas da quadrilha.
Esse trabalho desempenhado ano passado também contribuiu para identificar os nomes de outras pessoas envolvidas, entre elas a de Maurício Araújo, que segundo a revista Veja morreu há três anos.
A investigação começou em agosto de 2016, quando houve a prisão no setor de imigração do Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek, em Brasília, do jordaniano Ismail Suleiman Hamdan Al Helalat.
OUTRO CRIME
Maurício Araújo de Oliveira Souza já foi denunciado na Justiça Estadual de Mato Grosso do Sul por ter recebido R$ 26 mil na venda de uma caminhonete em Corumbá, mas nunca ter entregue o veículo. Ele ainda fugiu da cidade. Esse processo tramita na 2ª Vara Criminal daquela cidade.
Esse caso aconteceu em 18 de março de 2010 e o acusado chegou a ser citado em 29 de janeiro de 2014. Na citação, consta que ele estava em lugar incerto.
O nome de Maurício também apareceu em investigação da Polícia Civil de Mato Grosso sobre estupro de menor de 11 anos, cometido em agosto de 2012 em Nossa Senhora do Livramento. Nesse caso, Edenaldo da Silva apresentou-se à vítima com o nome falso, dizendo ser Maurício Araújo de Oliveira Souza.
MORTO E NO COMANDO
Contrato privado de transação de investimentos revelou à Polícia Federal que a offshore Global Recreative Sistem - GRS C.A, que tem sede em Miranda (Venezuela) e era representada por Maurício Araújo de Oliveira Souza, fez negociação com PASPX PLC, instituição financeira e-banking, que fica em Copenhague, na Dinamarca.
A transação entre essas empresas movimentou US$ 4,833 bilhões em abril de 2016, contudo Maurício tinha morrido há três anos, inviabilizando qualquer tipo de formalização. O documento estava na escritório da advogada Claudia Chater e serviu para a PF desembaraçar grande esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.