O diretor de relações institucionais do grupo J&F, Ricardo Saud, afirmou em delação premiada que pagou R$ 1,4 milhão ao advogado Marco Aurélio Carvalho, amigo do ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo.
Ele afirmou que o advogado se propôs a defender os interesses da empresa no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e no ministério. Saud afirmou que o pagamento "entrou no pote de boa vontade".
"Quando você paga para a pessoa não atrapalhar muito", disse o diretor. Saud declarou que nunca tratou do tema com o ex-ministro.
O site "Jota" informou no ano passado que Cardozo se tornaria sócio de Carvalho em seu escritório de advocacia. A reportagem não conseguiu contato com o ex-ministro e o advogado.
De acordo com Saud, foram pagos R$ 80 mil mensais por 18 meses sem que qualquer serviço fosse prestado.
"Nunca fez nada para me ajudar, mas nunca me atrapalhou. Acabou virando um bom amigo para beber cachaça", disse ele.
Carvalho o procurou para renovar o contrato, mas o diretor recusou. "Eu disse: 'Agora você traz o Zé para renovar. Sem o Zé não renovo não. Não rendeu nada'", afirmou ele.
OUTRO LADO
À reportagem do Portal Correio do Estado, o advogado Marco Aurélio Carvalho disse ter recebido a informação da delação com "perplexidade, indignação, mas também com tranquilidade de que as pessoas vão separar o que é mentira do que é verdade".
Carvalho negou ter recebido dinheiro sem prestar os serviços para os quais foi contratado. Ele pontuou ter atuado na área tributária e em outros ramos do Direito e se colocou à disposição para apresentar documentos que comprovem sua atuação. "sempre atuei de forma ética e irrepreensível", finalizou.