O juiz titular da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande, Carlos Alberto Garcete de Almeida, acatou a denúncia ofertada pelo Ministério Público contra Roberson Batista da Silva, de 32 anos, acusado de matar a tesouradas a jovem Mayara Fontoura Holsback, 18 anos, logo após sair da prisão.
Segundo a acusação, na madrugada do dia 15 de setembro deste ano, no bairro Universitário, após uma discussão com a ex-namorada, Roberson desferiu uma cabeçada contra o rosto da vítima, a segurou pelos braços e golpeou-a com uma tesoura por várias vezes, na intenção de matá-la.
A moça, que morava com o irmão desde o fim do relacionamento, havia namorado o denunciado por 3 anos, mas após a prisão e as demonstrações de ciúme excessivo por parte dele, havia rompido o namoro. A vítima, contudo, visitava-o no estabelecimento penal esporadicamente e aceitou recebê-lo na noite anterior ao crime em sua casa.
Com o recebimento da denúncia, o acusado será processado pelo crime de feminicídio, no âmbito de violência doméstica e familiar, qualificado pelo motivo torpe e pelo recurso que dificultou a defesa da vítima. Ele está preso desde o dia 6 de novembro.
CRIME
Conforme boletim de ocorrência, a jovem foi encontrada nua sobre a cama com parte do corpo coberto com edredom. Havia sangue no colchão, nas cobertas e algumas manchas no banheiro (no interruptor e na parede). A tesoura, usada no crime, foi localizada coberta de sangue ao lado do corpo, que já estava em rigidez cadavérica.
À polícia, uma testemunha contou que a jovem falava pouco do marido, mas que já havia comentado que Roberson era assaltante de banco e estava preso por ter matado uma pessoa por causa de uma dívida de R$ 400 mil.
A jovem também teria comentado que o marido era possessivo e ciumento. Ela o visitava na cadeia e tinha uma tatuagem com o nome dele no braço.
PERDÃO DE PENA
Roberson tem várias passagens pela polícia e teria matado Mayara um dia após receber o perdão de sua pena. Ele estava preso há três anos, 10 meses e 27 dias por tentar matar a ex-companheira em 2011.
Na época, a jovem tinha 25 anos, e ele atirou contra ela num posto de combustíveis, depois dela se recusar a conversar com ele. A moça foi atingida no pescoço, mas acabou socorrida e passa bem.
Por apresentar “bom comportamento” nos últimos 12 meses, sem que houvesse registros de "falta grave", o acusado acabou solto e ganhou o perdão da pena por meio do indulto, que é uma forma de extinguir o cumprimento de uma condenação imposta ao sentenciado. A decisão foi do juiz da 1ª Vara de Execução Penal, Caio Márcio de Britto.