A jovem de 20 anos que teria provocado parto prematuro na quinta-feira passada e deixado o bebê embrulhado em um saco, debaixo da cama, continua internada na Santa Casa de Campo Grande.
Ela pode responder por homicídio, já que, ao que tudo indica, abandonou a criança ainda com vida, matando-a de fome.
Conforme assessoria de imprensa da Santa Casa, a família da jovem proibiu a divulgação do estado de saúde dela. Apesar de não dar detalhes sobre as condições da paciente, o hospital informou que ela continua internada.
A delegada responsável pelo caso, Christiane Grossi, titular da 7ª delegacia de Polícia Civil, afirmou que ainda não recebeu o registro feito na delegacia plantonista, nem os laudos referentes ao caso, e só a partir deles é que vai decidir pelo que a jovem será indiciada.
"Se ficar comprovado nos laudos que o bebê morreu depois do parto, pode ser que ela responda por homicídio, tudo depende do resultado", disse.
O Portal Correio do Estado apurou que um laudo do Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol) aponta que a criança nasceu com vida e morreu de desnutrição.
Grossi explicou ainda que, por enquanto, não irá pedir a prisão da jovem porque ela está hospitalizada. Quem forneceu a substância abortiva para ela também poderá ser responsabilizado.
CASO
Conforme registrado no boletim de ocorrência, o caso veio à tona depois que a irmã da jovem encontrou o bebê na manhã de ontem, já em estado de decomposição. A Polícia Civil foi acionada, por meio da Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) do centro, e interrogou a mãe, que acabou confessando os atos.
Ela disse em depoimento que na quinta-feira, tomou chás e medicamentos com o objetivo de causar aborto. Não consta no registro policial o tempo de gestação. No noite do dia seguinte, teve sangramento e fez o parto sozinha. Ela supostamente usou tesoura para cortar o cordão umbilical, embrulhou o bebê e o escondeu sob a cama.
Como estava passando mal, acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e foi encaminhada para a Santa Casa. Até então, o paradeiro do bebê era desconhecido, já que ela não havia comentado sobre o aborto com mais ninguém.
Depois que o corpo foi encontrado, a autora disse para a irmã que os abortivos foram comprados da filha de uma traficante no Indubrasil. Entrentato, em depoimento formal alegou que a fornecedora seria uma mulher residente em Terenos. Num primeiro momento, a mãe é investigada por aborto provocado.