Mais de dois meses depois, a polícia ainda não encerrou as investigações sobre acidente que tirou a vida da aposentada Verônica Ricalde Fernandes, de 91 anos, no dia 13 de setembro.
A idosa foi atropelada por Cirlene Alves Lelis Robalinho, 48 anos, esposa do procurador Gilberto Robalinho da Silva. Ele também é investigado por alterar a cena do atropelamento.
De acordo com a delegada Célia Maria Bezerra, da 4ª Delegacia de Polícia Civil, que investiga o caso, o que está faltando é um laudo de exame feito pela perícia no local do acidente, além da análise das imagens das câmeras de segurança de um supermercado que fica em frente de onde tudo aconteceu.
"Já temos o laudo necroscópico, mas precisamos destes outros resultados para encerrar o inquérito ou a investigação sobre o caso fica inconclusiva", disse a delegada.
ACIDENTE
No dia do acidente, Cirlene afirmou em depoimento que sofreu um mal súbito, que resultou na perda do controle do carro e atropelamento da pedestre. No entanto, testemunhas que assistiram ao acidente disseram que viram a motorista falando ao celular antes do atropelamento.
Caso fique comprovado que a esposa do procurador do Ministério Público Estadual falava ao telefone celular no momento do acontecido, ela pode ser indicada por homícidio doloso, quando há intenção de matar.
FRAUDE PROCESSUAL
Outro agravante do caso foi o veículo Uno ter sido retirado do local do acidente antes da perícia criminal chegar. A ação teria sido cometida por um policial militar, responsável pela segurança do procurador Robalinho, quem teria ordenador a retirada do carro.
Conforme relatos de policiais que atenderam a ocorrência, isso aconteceu para evitar que o carro fosse depredado, em função da revolta dos moradores que conheciam a vítima. Ao mesmo tempo, houve mudança da cena do crime, o que pode influenciar no laudo final que aponta para a prova sobre o que causou o atropelamento.
O Ministério Público Estadual (MPE/MS) abriu um procedimento administrativo para investigar a atitude do procurador como fraude processual e a postura dele, diante da função que desempenha.
O Portal Correio do Estado entrou em contato com assessoria de imprensa do órgão para saber o andamento do processo, e foi informado que devido ao expediente já ter sido encerrado, não poderia responder aos questionamentos hoje.