O protesto realizado na manhã desta terça-feira (28) por cerca de mil servidores estaduais na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul causou transtornou para milhares de pais de alunos em todo o estado, que não puderam ir trabalhar.
Cerca de 50% das 364 escolas estaduais ficaram sem aulas, por determinação da Federação dos Trabalhadores em Educação (Fetems), que convocou o professorado para a manifestação.
Ao todo, a rede estadual de educação tem 257 mil alunos. Isso significa que a paralisação prejudicou o ano escolar de pelo menos 120 mil crianças.
De acordo com informações da Secretaria Estadual de Educação, somente 40% das escolas estiveram funcionando normalmente.
Outras 12% estiveram paralisadas parcialmente, ou seja, funcionando com aulas, mas com parte dos professores deixando de atender os alunos para ir ao protesto.
Até mesmo o presidente da Associação dos professores de Campo Grande (ACP), professor Lucílio Souza Nobre, esteve presente na manifestação de servidores estaduais.
"A norma tem que mudar primeiro da constituição federal. Nós vamos judicializar e continuar o desgaste político dos deputados que votaram a favor. No dia 6 está previsto a paralisação da reforma da previdência nacional. Todo o enfrentamento que fizemos hoje, nós vamos fazer a nível federal e também municipal. A toada é a mesma", disse Lucílio.
Ele afirmou que o projeto da reforma nacional precisa ainda de mais discussão. "Tem que retirar o projeto e discutir. Nosso objetivo é frear a nacional para tornar a estadual inconstitucional. Participaram 100% das escolas: 50% paralisou total e as outras parcial. Tinha outros servidores também, mas 90% era da categoria dos professores. Nossa luta continua através de mobilização e até uma possível greve.", pontuou.
O eletricista José Arruda disse que perdeu o dia de serviço porque não tem condições de deixar as crianças sozinhas em casa.
Ele é pai solteiro de uma criança, de 10 anos, e um adolescente, de 14 anos. "A mãe deles é falecida e eles têm só a mim. Como são menores de idade, não posso deixar eles sozinhos em casa senão acabo sendo preso. Por causa desse protesto vou perder um dia de serviço. E para quem é autônomo que nem eu, isso significa menos comida na mesa", reclamou.
Dona Ana Laura estava inconformada com a falta de responsabilidade dos professores. Para ela, o direito dos professores precisa ser respeitado, mas o dos pais que precisam sair em busca de sustento para a família também.
"Isso é um absurdo. Eu mesmo quase perdi o emprego hoje. Não tiro a razão dos professores, mas o direito deles termina onde começa o meu. Minha patroa quase me pôs na rua porque ela tinha um compromisso importante e eu não pude ir trabalhar. Será que esses professores concursados sabem o quanto esta difícil conseguir um trabalho hoje em dia. É uma falta de respeito com nós trabalhadores", criticou.