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Juristas debatem medidas anticorrupção em SP

Juristas debatem medidas anticorrupção em SP

Redação

10/12/2017 - 14h53

Profissionais do Direito fizeram um debate sobre medidas anticorrupção na manhã deste domingo (10) em um auditório na Avenida Paulista, região central de São Paulo. O evento acontece um dia após o "Dia Internacional de Combate à Corrupção”, comemorado neste sábado (9).

O evento foi aberto por Luiz Flávio Gomes, jurista e criador do Movimento Quero um Brasil Ético. "Nossa tarefa em 2018 é a conscientização da população. Não vamos eleger corrupto", disse Luiz Flávio. O jurista também disse que é preciso "atacar as elites cleptobandidas". O neologismo foi usado para se referir a políticos que roubam dinheiro público.

Composto de seis juristas, o debate elencou 12 medidas anticorrupção. Cada profissional defendeu duas medidas. Luiz Flávio falou sobre o fim do foro privilegiado e o "fim do político profissional".

Na sequência, o promotor de Justiça Roberto Livianu defendeu a criminalização do caixa 2 eleitoral e a regulamentação dos acordos de leniência. Sobre o caixa 2, Livianu argumentou que ele "mina a concorrência leal em uma campanha eleitoral". Disse ainda que a punição para isso hoje é "pífia, insignificante".

Também na mesa, o criminalista Roberto Delmanto acredita que parlamentares não podem assumir cargos no poder executivo, a não ser que renunciem seu mandato. "É uma pouca vergonha, precisamos acabar com a figura do suplente". A outra medida do advogado pede que "toda obra pública tem que ter seguro privado que contemple prazo e preço, exigindo o projeto executivo detalhado".

O consultor da Transparência Internacional Guilherme Donegá trouxe as medidas "regulamentação do lobby" e "identificação de beneficiários finais de pessoas jurídicas".

"A defesa de interesses de empresários e de membros da sociedade civil é legítima, o problema é como isso vem sendo feito", disse Donegá. O consultor disse que as delações premiadas mostram "interesses defendidos mediante contribuição financeira".

O "fim das indicações políticas para os tribunais de contas" foi defendido pelo procurador do Ministério Público de Contas perante o Tribunal de Contas da União Júlio Marcelo. Para ele, os tribunais de contas são "a primeira trincheira no combate à corrupção". No entanto, hoje estão "capturados pela política", e, segundo ele, o quadro deve ser formado por pessoas técnicas.

O procurador também pede "transparência e publicidade dos trabalhos de auditoria dos tribunais de contas". "Temos uma epidemia de corrupção que resulta da omissão dos tribunais de contas", criticou Júlio Marcelo.

Por fim, a professora Irene Nohara quer "intensificar medidas preventivas, como a exigência de compliance", e pede também "proteção efetiva à fonte de informação". Hoje, para um servidor público fazer uma denúncia, precisa oferecer nome e endereço. A professora defende que a denúncia possa ser feita anonimamente.

O evento é organizado pelo Movimento Quero Um Brasil Ético e pelo Instituto Não Aceito Corrupção. A mesa teve mediação de Ricardo Ferraz, jornalista da TV Cultura.

No debate, foi lançada a "Carta de São Paulo Anticorrupção", que defende as medidas debatidas.

 

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