A localização dos presídios, como a do Estabelecimento Penal de Segurança Máxima de Campo Grande, facilita a entrada de armas, celulares e outros objetos ilícios nas unidades.
O alerta é do presidente da Federação Nacional dos Servidores Penitenciários, Fernando Ferreira Anunciação, que considerou “equivocada” a declaração do ministro da Defesa, Raul Jungmann.
Na quinta-feira, o ministro disse acreditar que a grande quantidade de armas de fogo e objetos perfurantes encontrados em presídios brasileiros por militares das Forças Armadas – em vistorias feitas ao longo deste ano – sugere que haja algum tipo de “acordo” entre agentes do sistema prisional e criminosos para entrada e manutenção desses materiais.
Segundo Anunciação, que já presidiu o Sindicato dos Servidores da Administração Penitenciária de Mato Grosso do Sul, a análise de Jungmann indica que ele não conhece a realidade dos presídios brasileiros. Conforme observou, é até possível que exista casos isolados de corrupção de agentes, mas não justifica a dimensão que o ministro pretendeu dar.
Ainda de acordo com o presidente, vários fatores contribuem para o problema de entrada de drogas, celulares e mesmo armas brancas nas unidades prisionais. Ele cita, no caso da Máxima, a má localização do estabelecimento.
“O presídio, que foi construído num lugar afastado, hoje está numa área urbana, cercado de circulação de veículos, pessoas e até mesmo com comércio à sua volta”, observou, alertando para a facilidade de lançamento daqueles objetos por sobre os muros da penitenciária.
*Leia reportagem, de Thiago Gomes, na edição de sábado/domingo do jornal Correio do Estado.