Enquanto a prefeitura afirma ter tapado 24.220 buracos em 17 dias, especialista no assunto questiona qualidade e durabilidade do trabalho.
Para o professor de engenharia civil do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP), João Virgilio Merighi, os números são surpreendentes. “Se a prefeitura fez isso, está de parabéns. Mas queremos saber quantos anos vai durar cada buraco tapado? Quais empresas fizeram o controle de tecnologia da massa asfáltica? Existe o projeto de mistura asfáltica para a massa?”, questionou.
Assim como a vida útil do pavimento e sua estrutura têm prazo de vencimento, o tapa-buraco também estabelece a mesma norma. “Teria que mostrar que tapou com qualidade. Com isso feito, cada buraco tapado deve durar de 20 a 30 anos, não 20 a 30 dias nem 20 a 30 horas”, ressaltou.
Merighi é fundador-presidente da Associação Nacional de Transporte e Infraestrutura (Andit) e tem experiência para falar do assunto. “Cada equipe consegue tapar por dia de 10 a 15 buracos de forma bem- feita”, ressaltou.
Ele ainda compara os números com os de São Paulo, a maior metrópole do País. “Uma concessionária paulista consegue fazer 1,5 mil a 2 mil tapa-buracos no mês, por isso, eu não acredito em 24 mil em 17 dias”.
Segundo o engenheiro civil, com as 23 equipes que estiveram nas ruas nos últimos dias, seria possível ter 300 buracos fechados por dia, no máximo. Ontem, a mesma quantidade atuava na Capital.
*Leia reportagem, de Gabriela Couto, na edição de hoje do jornal Correio do Estado.