Na primeira vez que Deivid Almeida Lopes, 38 anos, falou em juízo sobre as acusações de ter estuprado, matado e esquartejado Kauan Andrade Soares dos Santos, 9 anos, ele disse que é inocente. Também negou todos os outros crimes de violência sexual contra adolescentes e crianças que a polícia atribuiu a ele.
O professor, que morava no Coophavilla 2, em Campo Grande, está preso e participou de oitiva na 7ª Vara Criminal, no Fórum da Capital. O juiz Marcelo Ivo de Oliveira também ouviu cinco testemunhas de defesa e três de acusação nesta tarde. Esta foi a última oitiva no processo.
"Tudo, realmente, teria nascido de algumas conversinhas de bairro e acabou tomando essa proporção gigantesca que a polícia acabou comprando e só visualizou isso. Foi até tentar produzir provas e até hoje não conseguiu provas de fato", alegou a defesa do acusado, o advogado Alessandro Faria, que falou em nome de Deivid.
Segundo ele, toda a acusação não passou de boato. "Sim (foi um boato). Foi a única linha investigatória e nessa permaneceu. Ou seja, não foram colhidas filmagens, ou triangulação de celular para tentar localizar (o acusado no dia do crime). Simplestemente falou que era aquilo e aquilo permaneceu. e hoje se tornou 'a realidade'. Isso é o que ele (Deivid) sustenta", reafirmou Faria.
A defesa do professor alega que faltam provas materiais contra os crimes, principalmente o que é relacionado a Kauan - o corpo dele nunca foi encontrado, o crime teria ocorrido em junho do ano passado. Por conta dos vários testemunhos, foi também solicitado que todas as 12 crianças e jovens ouvidos passem por novo testemunho, mas desta vez com o acompanhamento da equipe psico-social do Fórum de Campo Grande.
Esse pedido foi feito, e acatado pelo juiz, segundo o advogado, porque das quatro vítimas ouvidas na Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e Juventude (Deiaj) que acusaram Deivid, duas mudaram a versão em juízo e alegaram que foram coagidas por policiais daquela unidade.
Na investigação sobre o caso Kauan e dos outros estupros, tanto a Deiaj como a Delegacia Especializada de Proteção a Criança e ao Adolescente (Depca) participaram da apuração.
O juiz do processo, Marcelo Ivo de Olivera, ao final das oitivas não quis dar declaração. Como esta etapa da ação foi encerrada hoje, agora dependerá de possível recurso da defesa para definir se haverá o julgamento ou não. Segundo Alessandro Faria, ele deve pedir o desmembramento da acusação sobre a morte de Kauan dos outros casos de violência sexual.