Cidades

Direitos humanos

Conselho alerta que refúgio a venezuelanos serve para uso político

Conselho de Serviço Social afirma que falta discussão sobre abrigo

Na semana passada, governo de Mato Grosso do Sul informou que se prepara para receber imigrantes venezuelanos que chegaram a Roraima por conta da crise no país vizinho. Diante da informação, o Conselho Regional de Serviço Social de Mato Grosso do Sul (Cress-MS) se posicionou afirmando que a questão precisa ser tratada como preservação de direitos humanos e não como "pano de fundo para manutenção do desmonte das políticas públicas".

"Em meio à crise política instalada no Brasil, onde o capital tem sistematicamente atacado os direitos historicamente conquistados pelos trabalhadores, vemos a situação de dezenas de pessoas servirem de pano de fundo para a manutenção do desmonte das políticas sociais públicas, pois embora essa mobilidade venha acontecendo desde 2015, somente agora, às vésperas de novo ataque aos direitos dos trabalhadores com a proposta de reforma da Previdência, está havendo essa ação para atender as pessoas em condição de refúgio vindo da Venezuela, em uma clara disputa de quem é a responsabilidade entre os entes federados em prestar acolhimento aos venezuelanos", informou o Cress, em nota.

No dia 12 de fevereiro, o presidente Michel Temer esteve em Boa Vista (RR) e defendeu que os milhares de refugiados venezuelanos em Roraima sejam distribuídos em outras unidades da federação. Na época, o presidente ressaltou que os estrangeiros estão tirando empregos da população roraimense.

Desde 2016 Mato Grosso do Sul tem o Cômite para Atendimento de Refugiados, Migrantes e Apátridas (Cerma) e já está em contato com o governo federal para receber os estrangeiros.

Na última sexta-feira, foi publicado no Diário Oficial da União a Medida Provisória (MP) 820/18, que dispõe sobre as ações de assistência emergencial para acolhimento de estrangeiros que se refugiam no Brasil para escapar de crises humanitárias em seus países de origem.

Segundo a MP, as medidas de emergência visam a atender pessoas “em situação de vulnerabilidade decorrente de fluxo migratório provocado por crise humanitária”.

Conforme nota divulgada pela assessoria de imprensa do Cress, o conselho tem acompanhado as notícias sobre o caso e se preocupado com a emergência da situação a respeito das questões migratórias e de refúgio, pois entre as categorias que trabalham estes assuntos está o serviço social.

“É preciso discutir sobre a temática para prevenir e combater situações de preconceito e discriminação contra os trabalhadores venezuelanos em situação de refúgio, como, por exemplo, a fala do presidente da República e da prefeita da capital de Boa Vista, por ocasião da visita ao estado, quando afirmaram, respectivamente: “é preciso proteger a integralidade territorial e os habitantes de Roraima”; os venezuelanos estão “tirando o emprego de roraimenses”.

Ainda segundo o Cress, a migração e refúgio devem ser vistos como questão de preservação dos Direitos Humanos, “buscando normatizar o que prevê a Nova Lei da Migração aprovada em 2017, onde a política migratória brasileira rege o repúdio e a prevenção à xenofobia, ao racismo e a qualquer forma de discriminação, não criminalização da imigração e não discriminação em razão dos critérios e procedimentos pelos quais a pessoa seja admitida em território nacional”.

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