Quem precisa utilizar um banheiro no Centro de Campo Grande hoje passa por “aperto”. A Capital não tem sanitários públicos disponíveis para a população. Enquanto um, que fica na Praça da República – conhecida como Praça do Rádio – está trancado, a fim de se evitar vandalismo, o outro, na praça Ary Coelho, passa por reforma e permanece interditado.
Para resolver o problema, a prefeitura planeja transferir a manutenção dos banheiros a entidades filantrópicas. A ideia é que as instituições interessadas cobrem valor simbólico dos usuários e, em contrapartida, mantenham os sanitários limpos e em condições de uso.
Conforme o prefeito Marcos Trad (PSB), um estudo técnico será feito para ser analisada a viabilidade do projeto.
“Hoje, a pessoa que passa mal ou tem algum problema, como incontinência urinária, e precisa usar o banheiro no Centro não tem aonde ir. Então, é preciso resolver esse problema e estamos avaliando de que forma. Chegamos à conclusão de que essa pode ser uma solução. Seria feito um chamamento aos interessados, tudo correto”, disse o prefeito.
Trad afirma que, se o estudo confirmar a viabilidade, a ideia é de que o projeto já comece a funcionar na Praça Ary Coelho. Por lá, o banheiro está interditado em razão de reforma, que é resultado de parceria entre a prefeitura e o Consórcio Guaicurus. Torneiras, sanitários, pintura e até o piso dos banheiros foram substituídos. No entanto, desde outubro de 2017, apenas quatro banheiros químicos são disponibilizados à população. “Nós reformamos todo o banheiro, está novinho, e queremos disponibilizar para que a população use o quanto antes. O problema são os vândalos. Em casos como este, a entidade seria responsável por evitar depredação ou qualquer outro problema”, acredita o gestor.
A Praça do Rádio também tem um banheiro público, que fica embaixo da concha acústica. O local está trancado, porque já foi alvo de vandalismo, segundo o guarda municipal que faz a segurança da praça. “Mendigos costumavam dormir lá dentro, mas aí o pessoal começou a entrar e fazer de um tudo. A prefeitura, então, decidiu fechar”, conta ele, que pediu para não ser identificado.
De acordo com o prefeito, caso o projeto de “terceirizar” a manutenção dos banheiros seja viabilizado, outros sanitários podem ser construídos no centro da cidade. “O estudo vai mostrar quantos banheiros são necessários e se podemos colocar essa ideia em prática. Se for necessário e possível, podemos até construir novos banheiros”, afirmou Trad, sem mencionar quantos novos sanitários seriam construídos.
APROVADO
A maioria dos que costumam circular pelo Centro e, às vezes, ficam “no aperto” aprova a ideia da cobrança simbólica. “Acho justo. Melhor ser cobrado e ser mantido limpo do que continuar de graça e sujo”, considera o técnico em radiologia Everton Rodrigues de Melo, 34 anos.
O vendedor ambulante Euclides Monteiro, 76 anos, trabalha na praça Ary Coelho há 30 anos. Por muitas vezes, já precisou do banheiro, mas diz que o local estava inutilizável. Para ele, a ideia já deveria ter sido colocada em prática há mais tempo. “Tem que cuidar mesmo, se deixar à vontade o pessoal abusa, vira baderna, confusão. Cobrado tem papel, sabonete, papel toalha, tudo certinho”, diz o vendedor.
Quem discorda diz que o serviço deveria ser feito pela prefeitura. “Nós pagamos imposto para isso”, considera o pedreiro Jorge dos Santos Neto, 46 anos.