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Auxílio-moradia é restrito a 6% do alto escalão privado

Auxílio-moradia é restrito <br>a 6% do alto escalão privado

Redação

26/02/2018 - 07h46
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O auxílio-moradia é um benefício restrito a 6% do alto escalão do setor privado, percentual que caiu quase à metade nos últimos seis anos.

Os dados são de pesquisa da Page Executive, da consultoria Michael Page, com 1.150 presidentes e diretores de empresas entre novembro e dezembro do ano passado.

A maior parte dos 70 executivos que recebem a gratificação foi deslocada para outros países ou mudou de cidade dentro do país.

"É um benefício que, no setor privado, só é dado em poucas situações", diz Leandro Muniz, diretor da consultoria. "Aos expatriados, aos que mudam de cidade, e que recebem o benefício temporariamente, ou quando a empresa quer atrair um executivo a seus quadros e ele ainda tem o benefício."

Os números mostram que a tendência das empresas é conceder cada vez menos o auxílio, que não está vinculado ao desempenho do executivo dentro da empresa.

Em 2012, os dirigentes que recebiam o auxílio representavam 11,5%. O percentual estacionou em 10% entre 2013 e 2015 e caiu para 8% em 2016. No ano passado, houve nova queda de dois pontos percentuais.

O valor do benefício, segundo o levantamento, pode variar entre 10% e 20% do salário total do profissional, variando de R$ 3.000 a R$ 20 mil. A maioria dos executivos ganha o benefício por um período determinado de tempo: em média, três anos.

"É um benefício que tem tempo para acabar, já que é mais para adaptação a uma nova cidade."

De acordo com Muniz, a queda nos últimos anos tem a ver com esse prazo determinado de pagamento. Além disso, com a crise econômica, as empresas optaram por não realocar tanto seus executivos dentro do Brasil, e os profissionais foram perdendo o auxílio.

"As empresas estão cada vez mais desenhando a remuneração total do profissional ligada à meta, à performance", avalia.
teto

De acordo com Jorge Cavalcanti Boucinhas Filho, da FGV (Fundação Getulio Vargas), mesmo quando há deslocamento do executivo, muitas vezes as empresas preferem alugar as casas que ocuparão. "Isso porque é melhor arcar com um custo exato, em vez de determinar um valor fixo para o auxílio", diz.

Ele lembra que, no setor público, como há o teto constitucional que limita os salários a R$ 33,7 mil, adicionais como auxílio-moradia são usados para compensar perdas inflacionárias.

"No setor privado as empresas têm autonomia para negociar livremente os salários. Não há restrição legal", diz Boucinhas Filho.

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