O juiz titular da 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande, Aluízio Pereira dos Santos, decidiu nesta quinta-feira (1) que Eduardo Dias Campo Neto, 35 anos, irá a júri popular por matar e esconder dentro de um sofá o corpo de sua ex-mulher, Aparecida Anuanny Martins de Oliveira, 18, em crime ocorrido em março de 2007. A data do julgamento ainda será marcada.
De acordo com a acusação, no dia 6 daquele mês a vítima, que já estava separada de fato do acusado por cerca de um mês, encontrou-se com ele em sua residência, no bairro Coophamat, região sul da Capital, para buscar o filho e conversar com o ex-marido que insistia em reatar o relacionamento. Já no apartamento, a avó da criança, que também morava no local, levou o neto para passear e deixou o casal a sós.
Neste momento, Santos teria iniciado uma discussão com a ex-companheira por ciúmes. Em meio à briga, ele teria subitamente a agarrado e aplicado-lhe uma chave de braço por cerca de três minutos, matando-a asfixiada. Em seguida, escondeu seu corpo dentro de uma poltrona de sofá do quarto. A mulher só foi encontrada no dia seguinte pela mãe do acusado, devido ao cheiro ruim.
Após o crime, o acusado fugiu para o Paraguai e permaneceu foragido da justiça por 10 anos. Somente em agosto do ano passado ele foi capturado, com ajuda da Interpol (polícia internacional), na região de Ponta Porã.
O processo seguiu e Santos foi interrogado, em dezembro de 2017, em audiência inédita na Justiça estadual: o magistrado deslocou-se, acompanhado do promotor e do advogado de defesa, à Santa Casa de Campo Grande para ouvi-lo, vez que se encontrava internado para tratamento de um câncer há mais de dois meses.
Terminada a fase de instrução processual, o juiz entendeu haver indícios suficientes para justificar o pronunciamento do réu. Ele deverá responder por homicídio qualificado por motivo fútil, asfixia e recurso que dificultou a defesa da vítima, bem como por ocultação de cadáver.