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BRASIL

Comandante do Exército diz que interventor vai pedir R$ 1,5 bi para o Rio

General afirmou que anúncio de R$ 3,5 bilhões na segunda foi confusão

Redação

20/03/2018 - 13h45
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O comandante do Exército, general Eduardo Villas-Bôas disse nesta terça-feira (20) que a intervenção federal na segurança do Rio demandará cerca de R$ 1,5 bilhão em recursos adicionais. O valor final será apresentado ainda nesta terça pelo interventor, o general Walter Braga Netto.

Em discurso no BNDES, ele pediu compreensão com o comando da intervenção, diante da complexidade da situação no Rio, mas disse que o processo deixará resultados de longo prazo.

Fuzileiros navais participam de operação com as polícias Militar e Civil durante intervenção federal na segurança pública do Rio

Villas-Bôas disse que houve confusão dos parlamentares que participaram de reunião com o interventor na segunda (19) e anunciaram a necessidade de R$ 3,5 bilhões. O governo já anunciou à disposição de liberar R$ 1 bilhão.

Em entrevista após participar de evento no BNDES, o comandante do Exército disse primeiro que o valor ficará em pouco mais de R$ 1 bilhão. Depois, arredondou o valor para “em torno de R$ 1,5 bilhão”. Ele não soube detalhar como será gasto o dinheiro.

Villas-Bôas disse que a missão prioritária do comando da intervenção é reestruturar a estrutura da segurança no estado, para permitir que os resultados se mantenham no longo prazo.

Ele disse estar ao mesmo tempo otimista e preocupado com a intervenção, já que a situação tem se mostrado mais complexa à medida em que o comando da intervenção se debruça sobre o assunto.

“Todo esse estado de coisas a que nós chegamos é resultado de décadas e décadas de ambições e necessidades básicas da população não atingidas, que acabaram se represando e transbordando sob a forma de violência”, afirmou, em palestra no banco.

“Pedimos compreensão com os companheiros que às voltas com esse tema, que quanto mais se debruçam sobre ele, mais verificam a sua complexidade”, continuou ele, dizendo que as Forças Armadas manterão uma postura de “não gerar expectativa, de não tomar atitudes espetaculosas, de não inaugurar promessas”.

A intervenção na segurança do Rio foi decretada no dia 16 de fevereiro. Desde então, o foco dos militares foi a Vila Kennedy, na zona oeste da capital, que recebeu diversas operações e uma ação social no último sábado (17).

As Forças Armadas decidiram, porém, desmobilizar os efetivos na área. “Temos que considerar que o Rio tem mais de 800 comunidades”, comentou Villas-Bôas, dizendo que o objetivo é tentar agir em outras regiões. Mas ele não soube precisar qual o próximo foco.

MARIELLE

O comandante do Exército classificou como injustificável o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL), na última quarta (15), e se disse preocupado com a polarização política em torno do tema.

“Vejam o potencial que ele [o crime] adquiriu no sentido de desagregação”, disse. “Se não ganharmos densidade, estaremos sujeitos a potencial fragmentação, se não territorial, de nossa sociedade.”

Marielle foi morta com quatro tiros em ação que a polícia acredita ter sido premeditada. Seu motorista, Anderson Gomes, foi atingido por três tiros e também morreu.

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