Duas agências bancárias foram roubadas na madrugada desta quinta (29) em Paraty, município do litoral sul do Rio. Os criminosos realizaram uma ação ousada. Armados de fuzis e pistolas, espalharam grampos pelas principais vias da cidade com a intenção de furar os pneus dos carros. Em seguida, incendiaram também um carro na principal avenida da cidade.
Após arrombar as duas agências com a ajuda de explosivos, o bando formado por cerca de 20 bandidos roubou barracas pelo caminho até o centro histórico de Paraty. De lá, fugiram em duas lanchas.
Os bancos ainda não divulgaram o valor do dinheiro levado, e a Polícia Militar demorou quase uma hora para chegar nas agências.
Em dezembro, numa ação semelhante, um grupo invadiu uma vila residencial em Manbucaba e explodiu uma agência bancária. A fuga dos criminosos também foi feita na madrugada e de lancha na praia de Paraty.
A cidade sofre com o crescimento desordenado e com o aumento da violência. Nos últimos anos, Paraty passou por uma lógica de ocupação de comunidades pelo tráfico semelhante à que historicamente ocorre na capital.
Facções disputam territórios na região, o que fez subir os índices de letalidade violenta, indicador que soma ocorrências de homicídios dolosos (quando há intenção de matar), mortes por ação policial, latrocínio (roubo seguido de morte) e lesão corporal seguida de morte.
Segundo dados do ISP (Instituto de Segurança Pública), o município saltou de 24 ocorrências, em 2012, para 31, no ano passado.
A cidade é monitorada pela inteligência das Forças Armadas. Na semana passada, os militares realizaram uma grande operação em Angra dos Reis, município vizinho.
O Exército já definiu Paraty como um dos alvos da intervenção federal na segurança pública do estado, medida definida pelo presidente Michel Temer (MDB) prevista até dezembro.
Segundo pesquisa Datafolha feita na semana passada, a intervenção tem apoio de 76% dos moradores da cidade do Rio. A maioria, porém, avalia que a ação do Exército até agora não fez diferença no combate à violência (71%).
O Rio de Janeiro passa por uma grave crise política e econômica, com reflexos diretos na segurança pública. Desde junho de 2016, o estado está em situação de calamidade pública e conta com o auxílio das Forças Armadas desde setembro do ano passado.
Não há recursos para pagar servidores e para contratar PMs aprovados em concurso. Policiais trabalham com armamento obsoleto e sem combustível para o carro das corporações. Faltam equipamentos como coletes e munição.
A falta de estrutura atinge em cheio o moral da tropa policial e torna os agentes vítimas da criminalidade. Somente neste ano, 30 PMs foram assassinados no estado -foram 134 em 2017.
Policiais, porém, também estão matando mais. Após uma queda de 2007 a 2013, o número de homicídios decorrentes de oposição à intervenção policial está de volta a patamares anteriores à gestão de José Mariano Beltrame na Secretaria de Segurança (2007-2016). Em 2017, 1.124 pessoas foram mortas pela polícia.
Em meio à crise, a política de Unidades de Polícia Pacificadora ruiu -estudo da PM cita 13 confrontos em áreas com UPP em 2011, contra 1.555 em 2016. Nesse vácuo, o número de confrontos entre grupos criminosos aumentou.
Apesar da escalada de violência no Rio, que atingiu uma taxa de mortes violentas de 40 por 100 mil habitantes no ano passado, há outros estados com patamares ainda piores. No Atlas da Violência 2017, com dados até 2015, o Rio tinha taxa de 30,6 homicídios para cada 100 mil habitantes, contra 58,1 de Sergipe, 52,3 de Alagoas e 46,7 do Ceará