Mesmo com a greve dos servidores administrativos da educação em Mato Grosso do Sul as escolas da Rede Estadual (REE) funcionam hoje em Campo Grande. Na escola Joaquim Murtinho, no centro da Capital e uma das maiores da cidade, as aulas ocorrem normalmente. No local a direção informou não ter autorização para conceder entrevistas, porém, a reportagem apurou com servidores - que pediram para não ter o nome divulgado - que a greve poderá ter reflexo ao longo dos dias e caso perdure até o dia 30 de abril como é prevista.
A unidade tem 2,2 mil alunos e esta semana ocorrem as avaliações. “A programação é normal, estamos sem semana de prova e os alunos estão em sala. No que se refere as aulas acredito que a greve não terá interferência. Porém com o passar do tempo pode afetar o funcionamento da escola sim, pois os administrativos são responsáveis pela limpeza, manutenção, merenda e serviços burocráticos”, afirmou um educador da escola.
Em nota, a Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul (Fetems) afirmou que a greve é por conta do não atendimento do pleito da categoria pelo governador Reinaldo Azambuja (PSDB).
A entidade também afirmou que representa 74 sindicados de educação no Estado (Simted’s) e ainda que o Sindicato dos Funcionários Administrativos da Educação de MS (Sinfae) não representa a Fetems, por isso “não pode falar e nem assinar acordos em nome da federação”.
Ontem o Azambuja declarou que a - até então - “ameaça de greve” dos servidores administrativos da educação é de natureza política e que iria recorrer à Justiça. “Vamos tomar as iniciativas para o cumprimento das atividades escolares, se eles entrarem em greve, cabe ao governo entrar na Justiça devido a ilegalidade”, afirmou o chefe do Executivo.
A paralisação das atividades é em protesto ao reajuste de 3,04% sancionado pelo Executivo na semana passada. “Eles não tem o por quê pararem. A grande reivindicação que eles queriam era a incorporação do abono e isso já foi resolvido, só que dentro da legalidade”, explicou o governador.
FETEMS
Ficou aprovada em assembleia extraordinária realizada na sexta-feira (6), pelos representantes e trabalhadores administrativos em educação do Estado, a deflagração de uma greve geral por tempo determinado, a partir de terça-feira (10) até 30 de abril.
A reunião realizada no auditório da Fetems esclareceu aos presentes que o governo do Estado não aceitou a proposta de incorporação do abono salarial (atualmente) de R$ 200 à carreira profissional de educação básica, conforme previsto na lei 4.868/2016.
Em nota, as lideranças do movimento lembraram que diante da negativa, os trabalhadores administrativos em educação, responsáveis pela manutenção, limpeza, merenda e secretarias das escolas públicas estaduais continuarão a ter um salário base menor do que o valor do salário mínimo vigente no País.
DESDOBRAMENTOS
No dia 3 de abril, uma mobilização feita pela Fetems junto aos sindicatos de todo Estado culminou na realização de uma audiência pública realizada na Assembleia Legislativa. Ao todo, participaram do evento 1,2 mil trabalhadores, que permaneceram no dia seguinte (4), para discutir a pauta salarial e as reivindicações da categoria.
“Não aceitamos apenas a prorrogação do abono, nós queremos que esse abono se transforme em Piso para os trabalhadores/as administrativos em educação. o Governo do Estado tem de cumprir o compromisso que fez com a categoria e apresentar uma proposta em relação à incorporação do abono e a reestruturação da carreira”, disse o presidente da Fetems, Jaime Teixeira.