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Solurb é empresa campeã em acidentes de trabalho em Mato Grosso do Sul

Solurb é empresa campeã em acidentes <br>de trabalho em Mato Grosso do Sul

Pendurado no caminhão de lixo, Adalberto Centurião, 27, desce correndo e mal tem tempo de abaixar para pegar os sacos e caixas que estão no chão. São 30 segundos para que ele chacoalhe as sacolas com a ponta dos dedos, tenha certeza que não vai pegar em nada cortante ou pesado demais e, num movimento só, jogue tudo dentro do compactador. É assim todos os dias, menos quando a atenção no trabalho é insuficiente para evitar acidentes. 

Em três anos atuando como gari, foram três cortes nas mãos, apesar dele garantir que não esquece as luvas. E o trabalhador não é exceção. A CG Solurb Soluções Ambientais - empresa responsável pelo serviço de coleta de lixo em Campo Grande - é a primeira na lista dos empregadores com maior número de acidentes de trabalho notificados em Mato Grosso do Sul.  No ano passado, foram registrados 248 casos, 60% a mais do que em 2016, quando 155 Comunicações de Acidentes de Trabalho (CAT) foram abertas. 

“A gente trabalha com medo de achar um vidro, ferro, seringa, alguma coisa assim, sempre tem, já cortei três dedos. Mas não tem jeito, tem que trabalhar e cuidar para não voltar machucado”, conta Adalberto. O colega, Wellington Aparecido Santos Xavier, 24, começou no trabalho há pouco tempo, mas já sabe do risco que corre. “A gente chacoalha , olha, separa o lixo, tudo pra ver se tem alguma coisa dentro, eu tomo todo o cuidado”, diz o gari.

De acordo com o Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul, os garis são a quinta função que mais sofre acidentes de trabalho no Estado. E não é só o empregador o responsável pelo alto índice. Quem também colabora e tem responsabilidade quanto ao risco da atividades é a população, que pouco utiliza a coleta seletiva e, muitas vezes, acondiciona o lixo de maneira inadequada. “De acordo com informações oficiais que nós detectamos, esses acidentes acontecem por elementos perfurocortantes, lixo mal acondicionado e a forma como o trabalho é desenvolvido. Uma dica é embrulhar vidros quebrados e outros materiais cortantes em papel grosso, como um jornal, ou colocá-los em uma caixa para evitar acidentes.

Garrafas e frascos não devem ser misturados com os vidros planos”, explica o juiz do Trabalho, Márcio Alexandre da Silva, que também é gestor regional do Programa Trabalho Seguro do Tribunal Superior do Trabalho (TST).

Mas o risco aos trabalhadores não está só em meio ao lixo carregado por eles. Também são desumanas e arriscadas as condições de trabalho. “Os trabalhadores correm segurando o lixo atrás dos caminhões ou ficam pendurados no veículo e isso pode gerar lesões musculares, quedas, fraturas e afastamentos”, pontua o magistrado.

Além do prejuízo a saúde, os acidentes tem um custo à previdência do país. Conforme o MPT, por ano, uma média de R$ 26 bilhões são gastos no Brasil com o pagamento de auxílios previdenciários decorrentes de acidentes de trabalho. “E esse é o custo direto dos trabalhadores com contratos de trabalho formais.

Ainda há um custo muito grande indiretamente, que são os trabalhadores informais e os dias perdidos, já que esses trabalhadores afastados saem temporariamente do serviço e o empregador fica desfalcado ou tem que contratar outro para repor essa mão de obra. Então, há uma série de prejuízos financeiros, além do prejuízo à vida e saúde do trabalhador que é quem mais sofre”, conclui o procurador-chefe do Ministério Público do Trabalho, Leontino Ferreira de Lima Junior.

O Correio do Estado questionou a CG Solurb Soluções Ambientais sobre ações para prevenção de acidentes, mas a empresa não respondeu.

Nova Mobilidade

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