Cortes de verbas e redução de repasses à Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) podem reduzir em R$ 70 milhões o orçamento planejado para 2018, que é de R$ 732,4 milhões. Assim, este ano, a universidade poderá trabalhar com recursos totais de apenas R$ 662,4 milhões.
Previsões apresentadas em reunião do Conselho Universitário da UFMS (Coun), realizada em março deste ano, estimam redução de 40% nas verbas de custeio e 60% em investimento (que totalizam a queda de R$ 70 milhões).
O corte pode comprometer serviços básicos no segundo semestre, como fornecimento de água e luz em razão de atraso nos pagamentos.
Conforme dados da transparência da instituição, a previsão orçamentária para custeio e investimento é de R$ 155.417.720,00 e R$ 13.007.684,00, respectivamente. E são justamente esses os valores que serão impactados, caindo para R$ 93,2 milhões o de custeio e para R$ 5,2 milhões o de investimento. O valor que deixará de ser aplicado totaliza R$ 69,9 milhões.
De acordo com a professora de Pedagogia e presidente da Associação de Docentes da UFMS (Adufms-Sindical), Mariuza Aparecida Camillo Guimarães, o próprio reitor da instituição relatou as dificuldades durante reunião realizada na semana passada, falando, inclusive, sobre o risco de atraso no pagamento das contas de água e de energia.
Na ocasião, alunos e professores protestavam por causa do fechamento do curso Educação no Campo, sob a justificativa de falta de recursos.
Dados do Ministério da Transparência e da Controladoria-Geral da União (CGU) mostram que, em relação a 2017, neste ano já houve queda na previsão orçamentária. No ano passado, o total de repasses federais feitos à instituição foram de R$ 765,2 milhões e que, neste ano, a estimativa é de R$ 732,4 milhões.
Portanto, há redução de mais de R$ 30 milhões de um ano para o outro. Adicionando-se ao corte previsto para 2018, as perdas somam, pelo menos, R$ 100 milhões.
Conforme este levantamento, os repasses só não foram menores que em 2016, quando, em 12 meses, a UFMS utilizou recursos de R$ 698,8 milhões.
Desde de 2016, cortes frequentes foram anunciados pela própria administração da universidade. No ano passado, o reitor Marcelo Turine, em seu primeiro ano de gestão, fez apelo público por mais verba ao ministro da Educação, José Mendonça Bezerra Filho, que esteve em Campo Grande.
Conforme dados da Adufms, a universidade fechou aquele ano com 20% a menos do que o previsto inicialmente para as verbas de custeio e investimento.
FECHADOS
Além do fechamento do curso Educação no Campo, que estava apenas na segunda turma, a UFMS ainda anunciou que não realizaria mais vestibular para o curso de Medicina no município de Três Lagoas.
A universidade alegou dificuldades financeiras e também a falta de estrutura adequada para atender os 240 alunos que cursam a disciplina na cidade. A reunião deste ano do Conselho Universitário debateu ainda a suspensão temporária de oferta de vagas para ingresso no Curso de Letras do campus de Aquidauana.
Conforme a presidente da Adufms, a perspectiva de mais corte deve impactar diretamente nos repasses para assistência estudantil, além de pesquisa e extensão. “O corte já está ocorrendo, mas temos informações de que no segundo semestre será ainda mais contido”, sustentou.
Para a coordenadora do Sindicato dos Trabalhadores das Instituições Federais de Ensino do Estado de Mato Grosso do Sul (Sista-MS), Cléo Gomes, a ameaça de corte existe e o fechamento de cursos comprova isto.
“No caso específico dos técnicos administrativos, temos enfrentado problemas com a não abertura de concurso público. Temos vagas de servidores que se aposentaram ou que faleceram que não estão sendo repostas”.