A obra no leito do Córrego Anhanduí, na Avenida Ernesto Geisel, está em andamento há duas semanas e começa a mostrar resultados, pelo menos visuais. Morador da região há 18 anos, o tapeceiro Ubaldino de Lima, 58 anos, perdeu as contas de quantas vezes teve a casa invadida pela água em inundações por conta do transbordamento do córrego.
“Já perdi tudo diversas vezes, era material de trabalho, coisas da casa mesmo. O imóvel foi afetado e o asfalto também, pois ficava embaixo d’água e ia se deteriorando. Agora, com esta obra, pelo menos, esperança de que se resolva a gente tem”, disse Ubaldino, que, persistente, manteve a tapeçaria na avenida e agora torce pela melhoria da via.
“A obra está bem na minha frente, tô vendo acontecer, mas só vou acreditar mesmo quando terminarem. Vamos esperar, né? Porque a cidade está cheia de obras abandonadas”, acrescentou.
A Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), em nota, afirmou que a obra segue o cronograma nos três lotes que foi dividida. “Os lotes entre as ruas Santa Adélia e Bom Sucesso têm previsão de entrega em 18 meses e o terceiro lote, da Rua Bom Sucesso até a Rua Aquários, o prazo é de 30 meses”.
As frentes de trabalho estão atualmente em dois trechos, ambos no lado da via que segue do centro em direção à Avenida Manoel da Costa Lima. Nestes locais, a margem teve a retirada completa das árvores e da vegetação. E ali, possivelmente, será instalado sistema de contenção, para impedir que o asfalto desabe.
“As árvores que tinham aí eram imensas, e a gente não podia tirar. Eu acredito que estão fazendo certo porque foram plantadas de qualquer jeito, só para enfeitar, e agora vão colocar a vegetação que realmente precisa”, pondera o tapeceiro.
As obras do projeto de revitalização e controle de enchentes do Rio Anhanduí, iniciadas no dia 12 de abril, tiveram menos recurso do que o esperado. Travado há sete anos, por pouco o projeto não foi cancelado pelo Ministério das Cidades.
No ano passado, a Sisep conseguiu apresentar nova proposta à Caixa Econômica Federal e abrir licitação, no entanto, os investimentos foram bem menores e excluíram bairros mais periféricos. Inicialmente orçado em R$ 68 milhões, tem agora R$ 49 milhões para execução.
Esta primeira etapa da revitalização do Anhanduí será executada por duas empresas: dois lotes pela Dreno Construção, com sede no Paraná, e um lote pela Gimma Engenharia Ltda, de Minas Gerais. As empresas venceram a licitação homologada em outubro do ano passado.
O certame atraiu 34 companhias concorrentes e possibilitou a redução de 15,57% sobre o preço de referência da obra. O valor dos três lotes, entre as ruas Santa Adélia e do Aquário, orçado no edital em R$ 56.118.414,08, caiu para R$ 48.497,999,21, uma redução de R$ 7.620.414,98.
No lote um, entre as ruas Santa Adélia e Abolição, de responsabilidade da Gimma Engenharia Ltda, será investido R$ 13.122.999,21. A empresa Dreno Construções executará obras nos lotes dois, entre as ruas Abolição e Bom Sucesso, com o orçamento de R$ 13. 400.000,00; e três, da Rua Bom Sucesso até a Rua do Aquário, no valor de R$ 21.975.000,94, totalizando R$ 35.375.000,00 nos dois trechos.
A obra faz parte de um conjunto de ações para controle de enchentes nos bairros Marcos Roberto, Jockey Clube, Jardim Paulista e Vila Progresso. Foram investidos R$ 26 milhões em rede de drenagem e intervenções em afluentes do rio (os córregos Cabaça e o Areias), que despejam suas águas no Anhanduí.