Cidades

OPERAÇÃO-ENCILHAMENTO

Presa em operação da PF, presidente da Gradual está em cela comum

Presa em operação da PF, presidente<br>da Gradual está em cela comum

Izabela Jornada

28/04/2018 - 15h11
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Mesmo tendo faculdade e um alvará de soltura expedido a seu favor, a presidente da Gradual Investimentos, Fernanda de Lima, está presa em uma cela comum na Penitenciária Feminina de São Paulo, zona norte da cidade desde a noite de sexta-feira (27).

De acordo com o advogado da economista, Euro Bento Maciel Filho, ela foi transferida do prédio da Polícia Federal, na Lapa, onde cumpria uma prisão provisória no âmbito da Operação Encilhamento, deflagrada na quinta (12) para investigar suspeitas de fraude contra sistemas de previdências municipais.
O marido de Fernanda e diretor da corretora, Gabriel Correa, também estava preso temporariamente desde o dia 12 no mesmo local. Mas foi solto na tarde de ontem, depois da entrega do alvará de soltura emitido um dia antes pelo juiz João Batista Gonçalves da 6ª vara criminal da Justiça Federal.

Ainda segundo Euro, a Polícia Federal teria transferido Fernanda mesmo consciente da concessão da liminar no habeas corpus. Na Penitenciária Feminina, a não liberação da presa teria sido justificada, primeiro, por falta da equipe responsável e, depois, por ela ter duas anotações criminais ambas relacionadas a crime contra, sendo um deles como vítima.

"Não me conformo, isso é um abuso de autoridade", afirmou Filho. "Além do que, nada justifica deixá-la em uma cela comum até quarta por pura burocracia".

Um outro ofício foi entrega à Penitenciária há pouco, mas a chance dela sair ainda é remota, afirma Filho. A alegação desta vez seria a de questões burocráticas, que levariam a empresária a permanecer na cadeia até quarta-feira.

Na opinião do advogado, isso é uma revanche pela empresária não ter fechado acordo de delação premiado e ter "respondido perguntas corretamente e não o que a Polícia Federal queria ouvir".
Procuradas, a Penitenciária Feminina e a Polícia Federal não se manifestaram até a publicação desta matéria.

OPERAÇÃO ENCILHAMENTO
As investigações da PF apontam indícios de que a Gradual tem ligação com empresas emissoras de debêntures sem lastro.

Além disso, no relatório em que autoriza os mandados de busca e prisão da operação, o juiz João Batista Gonçalves, da 6ª Vara Criminal de São Paulo, cita que documentos apreendidos na sede da Gradual indicam que Fernanda mantém recursos no exterior, "além de mencionar possíveis esquemas de lavagem de dinheiro a partir de interpostas pessoas com atuação em paraísos fiscais."

Segundo a PF, os recolhimentos de servidores de 28 cidades em sete estados ao RPPS (Regime Próprio de Previdência Social) eram aplicados em fundos que continham debêntures (títulos de dívida) sem lastro emitidas por empresas de fachada, em valor que pode ultrapassar R$ 1,3 bilhão.

Em nota, a Gradual informou apenas que executivos da empresa estão colaborando com a Polícia Federal.

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