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Indústria aprova venda da SPFW, mas não comércio de nome e desfiles

Indústria aprova venda da SPFW, mas não comércio de nome e desfiles

Bruna Aquino

30/04/2018 - 07h15
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Se a nova gestão da São Paulo Fashion Week decidir vender ingressos para desfiles ou mudar o nome da semana de moda, como se aventou durante a temporada da semana passada, enfrentará resistência da indústria.

Em enquete realizada pela Folha nos cinco dias da 45ª edição do evento, 52 estilistas, empresários e profissionais de mídia opinaram, em condição de anonimato, sobre a compra da SPFW por um fundo árabe e as possíveis mudanças implicadas no negócio.

Das cinco perguntas feitas pela reportagem, as que causaram mais controvérsia foram a que cogita a venda de ingressos para desfiles e a aplicação do "naming rights", a mudança do nome por meio de contrato com patrocinador, modelo já testado pela semana de moda de Nova York e que desagrada quase 60% dos ouvidos.

"Batalhamos 20 anos para o nome SPFW ser reconhecido, então, sou contra mudá-lo por causa de um patrocinador", disse um dos entrevistados. Outro, por outro lado, não concorda com o "modelo estagnado" da semana paulistana, que desde o início acontece no parque Ibirapuera e só para convidados.

"[A SPFW] não dialoga com o parque. Tanto faz onde ela acontence", disse um entrevistado, enquanto outro pede maior abertura do evento. "Cada um devia fazer o desfile em um lugar diferente." Esse modelo é aplicado na semana de moda de Milão, onde as marcas ocupam prédios históricos para realizar suas apresentações.

A reportagem apurou que mudanças na estrutura do negócio só devem ocorrem em 2019. Nos bastidores, comenta-se que o diretor criativo do evento, Paulo Borges, não concorda com o comércio para desfiles, porque para lucrar com eles o ingresso teria de atingir um valor muito alto para compensar gastos de produção. Estima-se que uma apresentação de médio porte, com cenário, estrutura e algumas poucas tops na seleção, custa em torno de R$ 200 mil.

A possibilidade de a IMM, empresa que comprou 50,1% das ações da Luminosidade, dona da SPFW, cobrar ingressos para um modelo de festival que una moda, música, gastronomia e palestras, foi aprovada por 63% dos entrevistados.

Aqueles que não concordam, questionam sua utilidade pedagógica. "Cobrar ingresso para palestra seria desvirtuar o valor educacional dela", disse um convidado do evento.

A entrada do fundo árabe no Luminosidade não agrada apenas 15% dos envolvidos na SPFW, e não faz diferença para mais de 40% deles.

"Estamos tentando conquistar uma identidade nacional. Sou contra o fundo que está injetando dinheiro ser árabe", afirmou um empresário. Outro, porém, disse que qualquer investimento na semana de moda é bem-vindo.

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