Jurados da 1ª Vara do Tribunal do Júri condenaram por homicídio privilegiado duplamente qualificado Wesley Rocha Reis Bento e Leandro da Silva, acusados de matarem com 15 facadas a travesti Penélope, nome social de Leandro Marcolan Shavetock, 21 anos. Wesley recebeu a pena de 14 anos e 2 meses de prisão e Leandro de 12 anos e seis meses, ambos em regime fechado.
Crime aconteceu no dia 18 de novembro de 2015, motivado por discussão por conta de ponto de prostituição no Jardim Universitário. Segundo apurado no processo, Penélope estava há mais tempo no local e cobrava taxa de R$ 10 das outras travestis que usavam o ponto.
Leandro e Wesley eram companheiros de dois travestis que tiveram problemas com a vítima e decidiram tirar satisfação. Durante discussão, Leandro agarrou a vítima pelo pescoço, enquanto Wesley a golpeou 15 vezes com a faca. Penélope chegou a pedir socorro, mas morreu próximo ao local.
Durante o julgamento, apenas Leandro compareceu, já que Wesley está foragido. Em depoimento, ele afirmou que foi chamado pelo amigo apenas para conversar com a vítima e tentar resolver o problema com o ponto. Porém, conforme o acusado, travesti teria tentado agredi-los com uma faca e ele a segurou para desarmá-la, enquanto o amigo a golpeou com outra faca.
Ministério Público Estadual pediu a condenação por homicídio triplamente qualificado pela motivação torpe, pelo meio cruel e pelo recurso que dificultou a defesa da vítima. Já a defesa requereu o afastamento das qualificadoras e o reconhecimento de homicídio privilegiado por motivo relevante. Defensoria pediu ainda a absolvição genérica de Leandro ou reconhecimento de sua participação como de menor importância.
O Conselho de Sentença acatou parte dos pedidos da defesa, afastando a qualificadora do motivo torpe e reconhecendo o motivo relevante.
Juiz presidente da 1ª Vara, Carlos Alberto Garcete de Almeida, fixou a pena em 14 anos e 2 meses de prisão para Wesley e em 13 anos e seis meses para Leandro, reconhecendo a atenuante da confissão.